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Quando Ser Mãe Dói: Entendendo o Sofrimento Psicológico no Puerpério

Por que o pós-parto pode ser tão difícil e o que podemos fazer para acolher essa dor

19 de jul. de 2025

Ana Paula Silva Rodrigues

Mulher
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A maternidade costuma ser retratada como um momento mágico, cheio de amor, alegria e descobertas. No entanto, nem sempre essa é a realidade vivida por muitas mulheres. Algumas mães, logo após o nascimento do bebê, enfrentam sofrimento emocional intenso, que pode se manifestar em forma de tristeza profunda, ansiedade, cansaço extremo e sensação de solidão. Esse período é chamado de puerpério, e é quando “ser mãe” pode doer — no corpo e na mente.


O que é o puerpério?

O puerpério é o período que começa logo após o parto e pode durar semanas ou até meses. É quando o corpo da mulher passa por grandes transformações hormonais, emocionais e sociais. Ao mesmo tempo em que precisa cuidar de um recém-nascido, a mãe enfrenta:


*Mudanças no corpo e na rotina

*Falta de sono e descanso

*Responsabilidade intensa com o bebê

*Pressão para “dar conta de tudo”

*Pouco espaço para falar sobre seus próprios sentimentos


Tudo isso pode gerar um sofrimento emocional que, muitas vezes, é ignorado ou silenciado pela sociedade.


Quando o sofrimento aparece

O estudo mostra que muitas mulheres que enfrentam sofrimento psíquico no pós-parto já carregam em sua história vivências difíceis — como traumas, rejeição, abandono ou relações familiares conflituosas. A chegada de um bebê pode reabrir feridas antigas e ativar inseguranças.

Além disso, o modo como a maternidade é idealizada — como se todas as mães fossem automaticamente felizes e realizadas — faz com que muitas mulheres se sintam culpadas ou envergonhadas por não estarem bem.


O silêncio que adoece

Muitas mães não conseguem falar sobre o que estão sentindo. Têm medo de serem julgadas, criticadas ou incompreendidas. Esse silêncio só aumenta a dor.


Frases como:br>“Mas seu bebê é saudável, por que você está triste?”br>“Você devia estar feliz, ser mãe é uma bênção!”br>acabam invisibilizando o sofrimento real e legítimo dessas mulheres.


O que pode ajudar?

Acolhimento sem julgamento:Ouvir a mãe com empatia e sem críticas já é um grande passo.

Cuidado com a saúde mental:Psicoterapia pode ajudar a entender e lidar com os sentimentos difíceis.

Rede de apoio:Familiares, amigos e profissionais de saúde têm um papel essencial nesse momento.

Espaço para falar:Toda mulher tem o direito de dizer que está cansada, assustada ou triste — sem ser rotulada como fraca ou ingrata.


Conclusão

Nem toda mãe vive o puerpério como um “mar de rosas” — e tudo bem. A dor emocional também faz parte da experiência humana e precisa ser reconhecida. O sofrimento psíquico no pós-parto não é sinal de fraqueza, mas um pedido de ajuda que merece ser escutado com carinho, respeito e cuidado profissional.

Ser mãe é uma jornada profunda, e nenhuma mulher deveria atravessar esse caminho sozinha.


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