
O filme Her (2013), dirigido por Spike Jonze, talvez seja uma das principais referências cinematográficas quando o assunto é relacionamentos entre humanos e inteligências artificiais. A obra acompanha Theodore, um homem que desenvolve um vínculo afetivo profundo com um sistema operacional de IA chamado Samantha. Mais do que uma história de amor, o filme propõe uma reflexão sobre intimidade, conexão, expectativas e os limites entre relações artificiais e humanas. Mais de uma década após seu lançamento, a discussão parece mais atual do que nunca.
O advento de novas tecnologias, especialmente a popularização das inteligências artificiais, tem trazido inúmeros benefícios para a sociedade nos mais diversos âmbitos: na medicina, na educação, no meio corporativo, na pesquisa e em tantas outras áreas. No entanto, essas tecnologias também vêm sendo utilizadas para finalidades que extrapolam a produtividade e o acesso à informação.
Hoje, observamos pessoas que mantêm interações frequentes com inteligências artificiais, utilizam esses sistemas como espaço para desabafar, "fazem terapia", compartilham sentimentos e, em alguns casos, desenvolvem vínculos afetivos que chegam a ser compreendidos como relacionamentos. Essas tecnologias aprendem com nossas interações e oferecem respostas cada vez mais personalizadas, adaptando-se aos nossos gostos, preferências e necessidades. Como consequência, tendem a proporcionar experiências previsíveis, estáveis e livres de conflitos, algo que as relações humanas, por natureza, não são capazes de oferecer.
À medida que nos acostumamos ao conforto proporcionado por essas interações, cresce também a intolerância diante das instabilidades inerentes às relações humanas. Passamos, muitas vezes, a esperar de pessoas reais respostas imediatas, personalizadas e ajustadas às nossas expectativas, como se elas também funcionassem por algoritmos. Contudo, nenhum indivíduo é capaz de atender continuamente a esse tipo de demanda.
As relações humanas se distinguem justamente por sua complexidade. São marcadas por divergências, frustrações, negociações, imprevisibilidade e mudanças constantes. É nesse encontro com a alteridade, com alguém que pensa, sente e deseja de forma diferente, que desenvolvemos habilidades fundamentais, como empatia, tolerância à frustração, flexibilidade e maturidade emocional.
Quando somos constantemente reforçados por sistemas que respondem exatamente como desejamos, corremos o risco de reduzir nossa capacidade de lidar com aquilo que torna os vínculos humanos verdadeiramente humanos: a diferença. A decepção, nesse cenário, deixa de ser compreendida como parte inevitável das relações e passa a ser interpretada como um defeito do outro.
A questão, portanto, talvez não seja se devemos ou não interagir afetivamente com inteligências artificiais. A verdadeira reflexão está em compreender até que ponto essas interações enriquecem nossa vida emocional e em que momento começam a substituir experiências que só podem ser vividas nas relações entre pessoas.
Afinal, até onde essas interações devem se limitar?
Quem sou eu?

Beatriz de Souza
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Às vezes o que sentimos toma conta da nossa vida sem nem percebermos, mas não precisa ser assim.
Prazer, sou Beatriz, psicóloga especialista em Clínica Fenomenológico-Existencial pelo IFEN-RJ. Acompanho adultos, jovens adultos e adolescentes que vivenciam exaustão mental, crises de ansiedade, burnout , esgotamento acadêmico, oscilações importantes de humor como bipolaridade, dificuldades em relacionamentos, autoestima abalada, busca de reconstrução de sentido e formas de lidar com a sensação de insegurança, solidão, ansiedade e tristeza profunda.
Na terapia, busco compreender não apenas o que está acontecendo com você, mas como você está vivendo essa experiência. O processo é um espaço para olhar para sua história, seus sentimentos, escolhas, relações e limites, construindo novas possibilidades de lidar com aquilo que hoje parece difícil de sustentar.
Se você sente que é o momento de desacelerar o ruído externo e olhar com carinho para o seu mundo interior, entre em contato, estarei aqui para caminhar ao seu lado.
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