
Algumas formas de assédio no trabalho não aparecem de forma explícita. Elas vêm disfarçadas de “feedback”. E, muitas vezes, são frases que à primeira vista parecem profissionais. Mas que deixam um peso difícil de explicar.
Algumas delas eu ouvi ao longo da minha trajetória. Frases como: “Você tem muitas habilidades de liderança.” “A empresa precisa que seja assim.” “Esperávamos mais de você.” “Diante do que você trouxe… não sinto mais confiança no seu trabalho.”
No começo, eu tentei entender aquilo como um convite ao desenvolvimento. Revisava minhas atitudes. Refletia sobre o que poderia melhorar, mas havia algo que sempre ficava no ar: essas falas não vinham acompanhadas de orientação clara.
Não havia exemplos concretos, nem caminhos de desenvolvimento. Apenas uma sensação crescente de que algo em mim estava errado.
Foi com o tempo e também com o olhar da psicologia que comecei a entender algo importante: Feedback verdadeiro não desestabiliza a pessoa. Ele orienta, aponta comportamentos específicos, abre espaço para diálogo e ajuda a construir caminhos de melhoria.
Quando o que aparece são mensagens vagas, que geram culpa ou dúvida constante sobre a própria competência, o impacto deixa de ser desenvolvimento. E passa a ser emocional. Hoje eu entendo que ambientes de trabalho saudáveis não são aqueles onde nunca existem críticas, mas aqueles onde as críticas vêm acompanhadas de respeito, clareza e responsabilidade.
Porque a forma como falamos no trabalho também constrói ou destrói a segurança psicológica. E isso tem impacto direto na saúde mental das pessoas. Você já recebeu algo chamado de “feedback” que parecia mais uma tentativa de te desestabilizar?





