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Setembro Amarelo: quando dar conta de tudo começa a custar demais

Setembro Amarelo e saúde mental na vida da mulher

9 de set. de 2026

Mirths Amaro Silva

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Autocuidado

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Nem todo sofrimento emocional impede uma mulher de continuar funcionando. Às vezes, ela continua trabalhando, cuidando da família, resolvendo problemas e cumprindo compromissos enquanto, internamente, está cada vez mais cansada de sustentar a própria vida dessa maneira.

 

Por isso, falar sobre saúde mental no Setembro Amarelo também exige olhar para aquilo que nem sempre aparece.

Para a mulher que continua dando conta.

Para aquela que responde “está tudo bem” porque seria difícil explicar tudo o que não está.

Para quem se acostumou tanto a ser necessária que quase não percebe quando o custo de continuar funcionando começa a se tornar alto demais.

O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização e prevenção do suicídio. Em 2026, o Centro de Valorização da Vida escolheu como tema “Escutar é estar presente”, reforçando que uma escuta acolhedora, sem julgamentos e sem pressa, pode ser um primeiro passo importante para alguém em sofrimento encontrar apoio.

 

Mas há uma pergunta anterior à escuta do outro que também merece espaço:

há quanto tempo você não escuta verdadeiramente o que está acontecendo com você?

É possível estar emocionalmente sobrecarregada e continuar funcionando?

Sim.

 

Sofrimento psicológico não se apresenta de uma única maneira.

Uma pessoa pode estar enfrentando uma fase emocionalmente difícil e ainda conseguir trabalhar, cuidar da casa, comparecer a reuniões, organizar a agenda dos filhos, acompanhar os pais, pagar contas e responder mensagens.

Isso não significa que esteja necessariamente diante de um transtorno psicológico. Também não significa que esteja bem.

Saúde mental existe em um continuum e é influenciada por fatores individuais, familiares, sociais e estruturais. A própria Organização Mundial da Saúde destaca que diferentes circunstâncias podem proteger ou comprometer o bem-estar psicológico ao longo da vida.

 

Na experiência de muitas mulheres adultas, existe ainda uma particularidade: funcionar tornou-se uma forma de viver.

Elas aprenderam a antecipar.

Resolver.

Cuidar.

Organizar.

Suportar.

Ser responsáveis.

E, muitas vezes, essa competência é justamente o que torna mais difícil perceber que alguma coisa começou a mudar.

 

“Eu ainda dou conta de tudo. Então por que parece que não estou dando conta de mim?”

 

Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes quando falamos de sobrecarga feminina.

Porque existe uma diferença entre conseguir continuar e conseguir continuar sem se abandonar no processo.

Uma mulher pode cumprir todas as suas responsabilidades e, ao mesmo tempo, perceber:

  • que está constantemente cansada;
  • que ficou mais irritável;
  • que perdeu interesse por coisas que antes lhe faziam bem;
  • que não consegue descansar sem culpa;
  • que sua cabeça permanece ocupada mesmo quando o dia termina;
  • que está se isolando;
  • que sente que todos precisam de alguma coisa dela;
  • que não consegue identificar do que ela própria precisa;
  • que a vida continua funcionando, mas deixou de parecer inteiramente sua.

Nenhum desses sinais, isoladamente, determina um diagnóstico.

Mas eles podem ser um convite importante para prestar atenção.

A pergunta deixa de ser somente:

“Ainda consigo fazer tudo?”

E passa a ser:

“Quanto está me custando continuar fazendo tudo dessa maneira?”

 

Sobrecarga não é apenas excesso de tarefas

 

Quando pensamos em sobrecarga, é comum imaginarmos uma agenda cheia.

Mas a carga que uma mulher sustenta nem sempre cabe no calendário.

Existe o que precisa ser feito.

E existe tudo aquilo que precisa ser lembrado, antecipado, administrado, mediado e emocionalmente sustentado.

Pensar nas necessidades dos filhos.

Perceber que os pais estão envelhecendo.

Administrar um relacionamento que mudou.

Dar conta de exigências profissionais.

Lidar com alterações no próprio corpo.

Preocupar-se com dinheiro.

Responder às expectativas dos outros.

Tomar decisões.

Continuar sendo competente.

E, no meio disso, tentar compreender por que a mulher que sempre conseguiu sustentar esse ritmo já não responde da mesma maneira.

 

Para mulheres entre os 35 e 55 anos, diferentes mudanças podem inclusive ocorrer simultaneamente: trabalho, relações, filhos crescendo, cuidado dos pais, transformações corporais, climatério, envelhecimento e questionamentos sobre identidade e direção de vida. Essa sobreposição de experiências é justamente um dos territórios centrais do trabalho com mulheres em transição.

Talvez, portanto, não seja uma única coisa que esteja “errada”.

Pode haver muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.

 

O corpo e as emoções podem começar a pedir outra forma de viver

 

Há fases em que continuar utilizando as mesmas estratégias deixa de funcionar.

O corpo muda.

A energia disponível muda.

As relações mudam.

Os papéis mudam.

As prioridades podem mudar.

E ainda assim tentamos responder à vida utilizando o mesmo ritmo, os mesmos padrões de exigência e a mesma ideia de quem deveríamos ser.

 

É aí que algumas mulheres começam a dizer:

“Não sou mais a mesma.”

“Não sei por que estou tão cansada.”

“Eu sempre consegui lidar com tudo.”

“Não tenho motivo para me sentir assim.”

“Parece que alguma coisa em mim mudou.”

Talvez tenha mudado mesmo.

Isso não significa necessariamente que você precise voltar a ser quem era.

Pode significar que alguma parte da sua vida esteja pedindo reorganização.

A maturidade pode envolver uma verdadeira ruptura de referências: modos de trabalhar, cuidar, relacionar-se, ocupar papéis e compreender a si mesma que durante muito tempo funcionaram deixam de responder completamente à vida presente.

Nesse momento, insistir apenas em “dar conta” pode impedir uma pergunta muito mais importante:

o que precisa ser cuidado para que eu não precise continuar me deixando por último?

 

Setembro Amarelo também pode ser sobre perceber antes do limite

Prevenção não começa apenas quando alguém chega a uma situação extrema.

Ela também envolve construir uma cultura em que sofrimento emocional possa ser reconhecido, falado e acolhido.

A Organização Mundial da Saúde considera o suicídio um fenômeno multifatorial, relacionado a uma combinação de fatores sociais, culturais, biológicos, psicológicos e ambientais. Mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio anualmente no mundo.

O Ministério da Saúde brasileiro também ressalta que não existe uma “receita” capaz de identificar uma crise suicida por meio de um sinal isolado. Mudanças e manifestações de sofrimento precisam ser compreendidas em conjunto e levadas a sério.

Isso é importante porque falar sobre prevenção de maneira responsável exige evitar dois extremos.

Não precisamos transformar todo cansaço em doença.

Mas também não precisamos esperar que uma pessoa deixe de funcionar para reconhecer que ela está sofrendo.

Entre “está tudo bem” e uma situação de crise existe um território inteiro de sofrimento que merece atenção.

E é nesse território que conversar, pedir ajuda, procurar acompanhamento e reorganizar a forma de viver podem fazer diferença.

 

Quando procurar ajuda psicológica?

Não existe uma única regra.

Mas vale considerar apoio profissional quando aquilo que você está vivendo começa a produzir sofrimento persistente, interferir na sua rotina, nos relacionamentos, no sono, no trabalho, na capacidade de cuidar de si ou na maneira como você percebe o futuro.

Você também não precisa ter um diagnóstico para procurar uma psicóloga.

Às vezes, a necessidade começa muito antes disso.

Pode começar com uma frase simples:

“Eu não sei exatamente o que está acontecendo comigo, mas sei que não quero continuar desse jeito.”

Um processo psicológico pode oferecer espaço para compreender o que está acontecendo, diferenciar aquilo que pertence a uma fase difícil daquilo que está pedindo maior atenção e construir possibilidades de cuidado compatíveis com o momento vivido.

Não para entregar uma fórmula.

Nem para decidir pela mulher.

Mas para que ela não precise organizar tudo sozinha.

 

Escutar é estar presente, inclusive consigo mesma

O tema do Setembro Amarelo de 2026 nos lembra da importância de escutar o outro.

Talvez possamos ampliar essa proposta.

Escutar também é perceber quando o corpo começou a pedir pausa.

Quando a irritabilidade deixou de parecer episódica.

Quando a solidão aparece mesmo cercada de pessoas.

Quando o prazer desapareceu.

Quando aquilo que sempre fez sentido deixou de fazer.

Quando você percebe que está sustentando todos, mas não sabe onde tem colocado a si mesma.

Nem toda mudança significa adoecimento.

Nem todo sofrimento significa um transtorno.

Mas sofrimento emocional merece ser levado a sério.

Você não precisa esperar que tudo desmorone para reconhecer que alguma coisa precisa de cuidado.

 

Talvez seja hora de olhar para o que está pedindo atenção

Se você percebe que continua dando conta de tudo, mas sente que isso está custando cada vez mais emocionalmente, talvez não precise esperar chegar ao limite para começar a cuidar do que está acontecendo.

A psicoterapia pode ser um espaço para compreender melhor essa sobrecarga, organizar o que você está vivendo e reconhecer quais aspectos da sua vida, das suas relações e da sua forma de se cuidar estão pedindo atenção neste momento.

 

Se fizer sentido para você, conheça meus atendimentos em Psicologia para Mulheres e veja qual possibilidade de cuidado combina melhor com o momento que está atravessando.

→ Conheça as possibilidades de atendimento

Se houver sofrimento intenso, pensamentos de morte ou risco de suicídio, procure ajuda imediatamente. No Brasil, o CVV oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188. Em situações de emergência, procure um serviço de urgência em saúde.

 

Mirths Amaro
Psicóloga Clínica | Psicologia & Bem-Estar da Mulher

Acompanho mulheres adultas em períodos de sobrecarga, mudanças e transições de vida, oferecendo um espaço para compreender o que está acontecendo, organizar aquilo que precisa de atenção e construir formas de cuidado mais coerentes com a fase que estão atravessando.

 

 

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Alexandre Diehl Ottmann

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Atendimento:

Online

Sou psicólogo, com atuação inspirada na Logoterapia e Análise Existencial. Ofereço um espaço de escuta acolhedora e sem julgamentos para pessoas que enfrentam ansiedade, crises existenciais, dificuldades nos relacionamentos, luto, transições de vida e sofrimento emocional. Acredito que, mesmo nos momentos mais difíceis, é possível encontrar novos caminhos, recursos internos e sentidos para a vida. Meu objetivo é ajudar você a compreender melhor sua história, fortalecer suas escolhas e construir uma vida mais autêntica e significativa.

Valor da Sessão / Tempo de duração

R$ 80,00

/

50 minutos

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