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"Eu paro quando quiser":

Jogos de aposta: não é diversão, é vicio.

15 de jun. de 2026

Milena Schmitt Moura

00:00 / 01:04
Autocuidado

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Começou como entretenimento.

Uma aposta pequena.

Um jogo no celular para passar o tempo.

Uma tentativa de ganhar um dinheiro extra.

Nada parecia preocupante.

 

Até que, aos poucos, o jogo começou a ocupar mais espaço do que deveria.

Você pensa nele durante o dia.

Confere resultados constantemente.

Sente uma necessidade crescente de apostar novamente.

Promete que será a última vez.

Mas não é.

 

E quando perde, surge uma sensação difícil de explicar: a necessidade de tentar recuperar o prejuízo.

Então você joga mais.

E mais.

E mais.

 

O problema não é o dinheiro perdido

 

Quando pensamos em vício em apostas, normalmente imaginamos alguém que perdeu tudo financeiramente.

Mas, na clínica, o sofrimento costuma começar muito antes.

O que se perde primeiro geralmente não é o dinheiro.

É a liberdade.

A pessoa percebe que está apostando mais do que gostaria.

Gastando mais do que planejou.

Pensando no jogo mais do que gostaria de admitir.

Mentindo para familiares.

Escondendo gastos.

Sentindo vergonha.

Prometendo parar.

Fracassando.

Prometendo novamente.

E, aos poucos, sua vida passa a girar em torno da próxima aposta.

 

"Mas eu nem jogo tanto assim"

Muitas pessoas acreditam que só existe problema quando as perdas financeiras são gigantes.

Não é verdade.

O sinal mais importante não é quanto você aposta.

É o quanto você perdeu a capacidade de escolher.

Você sente que consegue parar?

Consegue ficar semanas sem jogar sem desconforto?

Consegue aceitar uma perda sem sentir necessidade de recuperar o dinheiro imediatamente?

Consegue pensar em outras coisas?

Se a resposta for "não", vale a pena olhar para isso com mais atenção.

 

O cérebro não está buscando dinheiro

Essa é uma das partes mais difíceis de compreender.

O cérebro não se torna dependente apenas da recompensa.

Ele se torna dependente da expectativa da recompensa.

É o "talvez".

Talvez eu ganhe.

Talvez eu recupere.

Talvez seja agora.

Talvez seja a próxima aposta.

Essa incerteza produz uma descarga intensa de excitação e dopamina.

Por isso, muitas pessoas continuam jogando mesmo quando estão perdendo.

Não estão perseguindo apenas o prêmio.

Estão perseguindo a sensação.

O que o jogo está preenchendo?

Essa costuma ser uma pergunta importante na psicoterapia.

Porque raramente o vício surge apenas pelo jogo.

Muitas vezes ele aparece como uma tentativa de lidar com algo mais profundo:

  • Solidão.
  • Ansiedade.
  • Vazio emocional.
  • Estresse.
  • Frustrações.
  • Baixa autoestima.
  • Sensação de falta de propósito.
  • Dificuldade de lidar com emoções dolorosas.

Por algumas horas, o jogo oferece uma fuga.

Uma distração.

Uma sensação de controle.

Um alívio.

Mas o problema continua esperando quando a tela é desligada.

 

A vergonha alimenta o ciclo

Muitas pessoas que sofrem com apostas compulsivas carregam uma culpa enorme.

Pensam:

"Como eu fui tão burro?"

"Eu deveria ter mais controle."

"Ninguém entenderia isso."

E justamente por sentirem vergonha, escondem o problema.

Quanto mais escondem, mais isoladas ficam.

Quanto mais isoladas ficam, mais recorrem ao jogo para aliviar o sofrimento.

O ciclo se fortalece.

 

Pedir ajuda não é sinal de fraqueza

O vício em jogos e apostas não é falta de caráter.

Não é preguiça.

Não é ausência de inteligência.

É um sofrimento real, que envolve aspectos emocionais, comportamentais e neurobiológicos.

E, como qualquer outro sofrimento psicológico, merece acolhimento e tratamento.

Reconhecer que algo saiu do controle não significa fracassar.

Significa dar o primeiro passo para recuperar aquilo que o jogo foi tomando aos poucos: sua liberdade de escolha.

 

Alguns sinais de alerta

  • Apostar mais dinheiro do que planejou.
  • Tentar recuperar perdas imediatamente.
  • Sensação de dependência do prazer imediato;
  • Mentir sobre apostas ou gastos.
  • Sentir irritação quando não consegue jogar.
  • Pensar frequentemente em apostas.
  • Fazer empréstimos ou usar dinheiro destinado a outras necessidades.
  • Prometer parar várias vezes sem conseguir.
  • Sentir culpa, vergonha ou desespero após jogar.

Se você se identificou com esses sinais, saiba que não está sozinho.

 

Existe tratamento.

Existe saída.

E você não precisa enfrentar isso em silêncio. ❤️

 

A psicoterapia pode ajudar a compreender o que sustenta esse comportamento e construir novas formas de lidar com o sofrimento sem depender do jogo para encontrar alívio.

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