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A criança interior que continua esperando

Crescer não seja abandonar a infância, mas aprender onde guardá-la.

10 de abr. de 2026

Giovanna Santos Silva

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Psicoterapia

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"A infância é o chão que a gente pisa a vida inteira" - Lya Luft

 

Eu sempre digo, sem nenhum constrangimento, que sou apaixonada pela trilogia de Toy Story.

O primeiro e o segundo sempre foram meus favoritos. Mas existe algo no terceiro filme que me atravessa de um jeito diferente.

Talvez porque Toy Story 3 não seja apenas um filme sobre brinquedos. É um filme sobre despedidas.

Sobre aquele tipo de despedida que não acontece com uma briga, nem com uma perda abrupta. É uma despedida silenciosa. Quase delicada.

Andy está indo para a faculdade. E, de repente, aqueles brinquedos que sempre estiveram ali, Woody, Buzz, Jessie. Já não cabem mais na vida cotidiana dele.

Mas o que sempre me emocionou nesse filme não é exatamente o fato de Andy parar de brincar.

É perceber que ele não está abandonando a infância. Ele está apenas reposicionando ela.

A infância sai do chão do quarto e vai para outro lugar: a memória.

Eu lembro de assistir esse filme no cinema em 2010. Eu tinha oito anos. E mesmo assim aquilo já mexia comigo de um jeito difícil de explicar.

Porque, mesmo sendo criança, eu intuía alguma coisa: um dia aquilo também aconteceria comigo.

Um dia eu também teria que dizer tchau.

Eu tenho um orgulho enorme de contar que brinquei de Barbie até os meus 14 anos. Enquanto muita gente já estava preocupada em parecer mais adulta, eu ainda estava inventando histórias, criando personagens, organizando casas imaginárias.

Hoje eu não tenho mais aquelas Barbies.

E às vezes isso dói um pouco.

Dói como se faltasse um pequeno museu da minha própria infância. Como se aqueles objetos fossem portais para uma parte de mim que existiu com tanta intensidade.

Mas com o tempo eu fui entendendo uma coisa que talvez a psicanálise explique melhor do que qualquer filme: o que dói não é a perda.

O que dói é o amor.

A dor da memória é sempre um sinal de que algo foi vivido de verdade.

Porque só sentimos saudade daquilo que nos atravessou.

Quando Andy entrega os brinquedos para Bonnie no final do filme, aquela cena que fez metade do cinema chorar, não é apenas um gesto de desapego.

É um gesto de cuidado com a própria história.

Ele não joga os brinquedos fora. Ele não os nega. Ele os entrega para que continuem existindo.

A infância, ali, não é descartada.

Ela é honrada.

Talvez crescer seja justamente isso: aprender a colocar as coisas em outros lugares dentro da gente.

A criança não desaparece. Ela muda de endereço.

Ela aparece quando você pinta um desenho simples, quando você joga aquele jogo que te lembra outra época, quando você se perde em um hobby que não serve para nada além de te fazer bem.

Quase sempre foi o “mini você” que inventou essas coisas.

E talvez seja por isso que abandonar completamente essas pequenas alegrias nos deixa tão vazios.

Porque elas eram, na verdade, formas de continuar vivendo em contato com quem a gente já foi.

Eu não tenho mais minhas Barbies.

Mas aquela menina que inventava histórias com elas ainda mora em algum lugar dentro de mim.

E acho que Toy Story 3 me ensinou exatamente isso: crescer não significa dizer adeus para a infância.

Significa apenas aprender a dizer: obrigado.

Quem sou eu?
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Paulo Antonio de Oliveira Filho

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Sou Paulo Antônio psicólogo clínico, com atuação na área na Saúde Mental desde 1999, desenvolvendo uma trajetória profissional pautada no compromisso com o cuidado, a escuta qualificada, o acolhimento e a promoção da saúde emocional.
Ao longo dessa trajetória, venho buscando compreender o ser humano em sua singularidade, respeitando suas histórias, experiências, sentimentos e subjetividades. Acredito que o processo psicoterapêutico é um espaço de acolhimento, reflexão, autoconhecimento e transformação, no qual cada pessoa pode encontrar caminhos para lidar com seus conflitos e construir novas possibilidades para sua vida.
Atualmente, estou cursando Pós-Graduação em Psicologia Analítica Junguiana pela Universidade Metropolitana de São Paulo, aprofundando meus conhecimentos sobre a psicologia de Carl Gustav Jung, especialmente no que se refere ao inconsciente, aos arqúétipos, aos símbolos e ao processo de individuação.
Meu propósito é oferecer um atendimento psicológico ético, humanizado e comprometido com a singularidade de cada indivíduo, contribuindo para o fortalecimento da saúde mental e da qualidade de vida.
Cuidar da saúde mental é também abrir caminhos para o autoconhecimento e para uma vida com mais significado.

Valor da Sessão / Tempo de duração

R$ 40,00

/

50 minutos

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