
Em algum momento da vida adulta, muitas pessoas se dão conta de um sentimento incômodo: a sensação de estar atrasado. Atrasado em relação aos outros, aos planos imaginados, às expectativas familiares, sociais, ou até às próprias fantasias de quem um dia se acreditou que seria. Essa sensação raramente nasce do acaso. Ela se constrói em um ambiente que nos empurra para comparações constantes, metas rígidas e cronogramas que desconsideram a singularidade de cada trajetória psíquica.
Do ponto de vista winnicottiano, o sofrimento não está necessariamente no “atraso”, mas na exigência de um falso ritmo. Quando o sujeito precisa se adaptar excessivamente a um tempo que não é o seu, corre o risco de se afastar do próprio gesto espontâneo, aquilo que dá sentido e vitalidade à experiência de existir.
A fantasia do atraso costuma vir acompanhada de culpa, vergonha e autocrítica. Como se houvesse um manual invisível dizendo onde deveríamos estar aos 20, 30 ou 40 anos. Mas esse manual ignora algo essencial: o tempo psíquico não é linear, nem previsível. Há fases de construção silenciosa, períodos de recolhimento e momentos em que simplesmente sobreviver já é um grande trabalho emocional. Estar “atrasado”, muitas vezes, é apenas estar em processo. É estar reorganizando o mundo interno depois de perdas, crises, adoecimentos ou rupturas que não aparecem nas redes sociais nem nos currículos. Winnicott nos lembra que o amadurecimento emocional só acontece quando há condições ambientais suficientemente boas. E isso inclui tempo. Tempo para falhar, para se refazer, para não saber, para experimentar caminhos sem garantias.
Talvez a pergunta mais honesta não seja “por que estou atrasado?”, mas: “De que eu precisei me ocupar para chegar até aqui?” Quando essa pergunta encontra espaço, seja na terapia ou na própria reflexão, a fantasia do atraso pode dar lugar a algo mais gentil: o reconhecimento de uma história que está sendo vivida, e não corrida.
Cada sujeito tem o seu tempo. E respeitá-lo não é desistir da vida, é finalmente começar a habitá-la.
Quem sou eu?

Larissa Sardi Fagiolo Montanher
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Olá! Me chamo Larissa, sou psicóloga clínica, graduada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) desde 2017. Minha atuação é fundamentada na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), abordagem que busca compreender a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos, promovendo o autoconhecimento e o desenvolvimento de estratégias para lidar com os desafios da vida.
Realizo atendimentos psicológicos a crianças e adultos, nas modalidades presencial e on-line, oferecendo um espaço de escuta, acolhimento e cuidado, respeitando a individualidade e as necessidades de cada pessoa.
Acredito que cada pessoa carrega consigo uma história única, com sentimentos, experiências e desafios que merecem ser acolhidos com carinho e respeito. Por isso, meu objetivo é oferecer um espaço seguro, leve e livre de julgamentos, onde você possa se sentir à vontade para falar sobre o que sente e vivencia.
Na psicoterapia, caminhamos juntos em um processo de autoconhecimento, compreensão das emoções e desenvolvimento de recursos para lidar com as dificuldades do dia a dia. Cada etapa é conduzida com escuta sensível, empatia e respeito ao tempo e à individualidade de cada pessoa.
Você não precisa ter todas as respostas para começar. A terapia pode ser um espaço para se conhecer melhor, fortalecer-se emocionalmente e construir novas possibilidades para sua vida.
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