
Vivemos em uma época marcada, sobretudo, pelo excesso. Não é a toa que Byung-Chu Han identifica um dos traços do nosso tempo no excesso de positividade. Ele se manifesta no excesso de informação, de estímulos, de consumo, de objetos tecnológicos, de substâncias e, junto a tudo isso, na promessa de uma felicidade constante e linear. Sobre a felicidade, Freud escreve em seu célebre texto "Mal-Estar na Civilização" que esta é estruturalmente impossível para o ser humano. Podemos ter encontros, conquistas e realizações pessoais que nos trazem um estado de bem estar e felicidade, mas que são sempre pontuais, são momentos e por isso eles nos marcam tanto. Hoje em dia, somos bombardeados por todos os lados com essa promessa ilusória de que é possível ser feliz o tempo todo, não sofrer e não perder.
Somos incessantemente convocados a produzir mais, aproveitar mais, consumir mais e elimitar qualquer limite ou sofrimento. Para isso, há sempre um novo objeto de consumo apresentado como indispensável, um novo medicamente para melhorar a performance, aumentar o foco, oferecer mais energia e outro para dormir e relaxar, porque o corpo não é uma máquina, ele tem limites.
Nesse sentido, há um paradoxo. Quanto mais respondemos a esses impulsos, buscar satisfções imediatas, mais o mal-estar se apresenta. Ansiedade, esgotamento, compulsões e as mais diversas formas de dependência revelam que o excesso não elimina o vazio, apenas o torna mais silencioso. E, quando esse vazio finalmente faz barulho, ele costuma ser estrondoso.
Levando isso em consideração, a psicanálise propōe uma direção bastante distinta. Ela aposta na falta, no intervalo, no espaço em que seja possível suspender, ainda que por um instante, essa lógica da urgência e do "sempre mais". Trata-se de criar condições para reconhecer que não somos capazes de sustentar indefinidamente esse ritmo, profundamente adoecedor, e a partir daí, inventar seu próprio modo de viver, fazendo frente a essa demanda por meio do que chamamos de desejo.
Assim, desejar não significa responder as exigências de nossa época nem se adaptar a um modo de vida que produz sofrimento. Afinal, adaptar-se a um estilo de vida adoecedor cobra um preço, e um preço muito alto. Desejar significa, justamente, sustentar os próprios limites, renunciar à ilusão de uma satisfção plena e abrir espaço própria com a vida e com o tempo. Talvez o gesto mais subversivo seja recusar a glamorização do excesso e reconhecer que nem tudo precisa ser preenchido para que a vida possa, de fato, ganhar sentido.
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Jose Rodrigo de Sousa do Carmo
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Olá, eu sou José Rodrigo, psicólogo clínico.
Se você chegou até aqui, talvez esteja vivendo um momento em que as coisas ficaram mais difíceis de administrar sozinho.
A psicoterapia pode ser um espaço de acolhimento, escuta e construção de novas formas de lidar com pensamentos, emoções e situações que estão causando sofrimento.
Meu trabalho é baseado na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), uma abordagem estruturada que busca compreender a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos, ajudando você a desenvolver estratégias mais funcionais para enfrentar suas dificuldades.
Atendo adultos e casais, de forma online, com um atendimento individualizado, ético e acolhedor.
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