top of page

A guerra e a alma humana

Um diálogo entre Einstein e Freud presente em nossos dias

16 de set. de 2025

Daniel Gomes Pinto

00:00 / 01:04
Psicologia

Ouça esse artigo usando o player acima.

  • Texto em 4 linhas​

  • ​Texto em 4 linhas

  • ​Texto em 4 linhas

  • Texto em 4 linhas

image_edited.png
Terappia Logo

Em 1932, em meio a um mundo à beira de mais um conflito devastador, Albert Einstein, o gênio da física, e Sigmund Freud, o pai da psicanálise, trocaram correspondências que se tornariam um marco na reflexão sobre a natureza da guerra. Einstein, buscando entender as raízes da agressão humana, questionou Freud: "Existe algum meio de livrar a humanidade da ameaça da guerra?" A resposta de Freud, permeada por seu profundo conhecimento da psique humana, não ofereceu soluções fáceis, mas lançou luz sobre as complexidades inerentes à nossa natureza.
Freud, em sua análise, apontou para a pulsão de morte (Thanatos), um instinto inerente ao ser humano que busca a destruição e o retorno ao inorgânico. Em contrapartida, ele também descreveu a pulsão de vida (Eros), que busca a união, a conservação e a criação. A guerra, segundo essa perspectiva, seria uma manifestação extrema da interação e, por vezes, do conflito entre essas duas forças primordiais. Ele argumentou que o desenvolvimento cultural, embora traga avanços, também pode exacerbar tensões e despertar instintos agressivos.
Einstein, por sua vez, embora compartilhasse o horror da guerra e defendesse fervorosamente a paz, reconhecia a dificuldade em erradicar a violência. Ele acreditava que a criação de uma autoridade internacional com poder executivo seria crucial para a manutenção da paz, mas também via a influência de interesses econômicos e políticos, especialmente a indústria bélica, como obstáculos significativos. A capacidade humana de ser facilmente inflamada por discursos de ódio e a sedução da destruição eram, para ele, aspectos preocupantes.
A Guerra no Espelho do Cotidiano
Mais de nove décadas após essa troca de cartas, as reflexões de Freud e Einstein continuam dolorosamente relevantes. A guerra, em sua forma mais brutal e declarada, ainda assola o planeta. Contudo, seus ecos ressoam também nas relações humanas cotidianas, moldando interações, conflitos e a própria estrutura social.
A agressividade latente que Freud identificou pode ser observada nas discussões acaloradas, na competição desenfreada no ambiente de trabalho, na polarização política que impede o diálogo e na linguagem violenta que domina as redes sociais. A pulsão de morte, em vez de se manifestar em campos de batalha, pode se expressar em comportamentos autodestrutivos, na indiferença diante do sofrimento alheio ou na propagação de discursos de ódio e desinformação.
Einstein nos alertou sobre a necessidade de entendimento mútuo e o perigo de ceder à violência. Suas preocupações com a propaganda e a manipulação da opinião pública são hoje mais pertinentes do que nunca, em uma era de comunicação instantânea e disseminação massiva de informações, muitas delas carregadas de intencionalidade destrutiva.
A busca por uma autoridade superior que resolva conflitos, como Einstein almejava, encontra paralelos nas instituições internacionais, mas sua eficácia é constantemente testada pela falta de consenso e pela prevalência de interesses nacionais. A ideia de que "a força das ideias" pode superar a "violência bruta", como Freud ponderou, permanece um ideal a ser perseguido, mas sua concretização exige um profundo trabalho de educação para a paz, empatia e autoconhecimento.
As correspondências entre Freud e Einstein nos lembram que a luta contra a guerra não é apenas uma questão de política externa ou diplomacia, mas uma batalha contínua que se trava no íntimo de cada indivíduo. Compreender as complexidades da natureza humana, reconhecer nossas inclinações destrutivas e cultivar ativamente a força da vida e do entendimento são passos essenciais para, quem sabe um dia, livrarmos a humanidade de suas mais devastadoras manifestações.

Quem sou eu?
Image-empty-state.png
perfil_verificado_logo-removebg-preview.png

Raissa Gentil Cardoso

CRP:

botao-whatsapp.png

06/150403

classificação média é 3 de 5, com base em 0 votos, Avaliações

Atendimento:

Online

Sou psicóloga e psicanalista, com 10 anos de experiência na área clínica.
Tenho especialização em cuidado a usuários de álcool e outras drogas, em Psicologia Hospitalar e Neuropsicologia em andamento pelo Hospital Israelita Albert Einstein.

Meu trabalho é baseado na escuta sem julgamentos, proporcionando um espaço para o paciente em que a neutralidade é preservada.
A psicoterapia pode ser um espaço para o paciente falar livremente sobre questões profundas, é para falar sobre aquilo que não é dito para um amigo num café.

É sobre poder olhar para si e para a própria história, colocar em palavras o que está sentindo e poder ampliar a possibilidade de direções.

Vamos começar?

Valor da Sessão / Tempo de duração

R$ 40,00

/

40 minutos

Últimas publicações desse Terappeuta

Como é uma sessão de terapia comigo?

Jenny Fram Lopes Vieira de Queiroz

8 de out. de 2026

Como é uma sessão de terapia comigo?

🌻 Você tem sido uma pessoa que acredita em você?

Luna Stella Vieira de Melo

8 de out. de 2026

🌻 Você tem sido uma pessoa que acredita em você?

psicoterapia

Luna Stella Vieira de Melo

8 de out. de 2026

psicoterapia

bottom of page