
Por que é que uma quantidade significativa de adolescentes acredita que o amor é suficiente para transformar um parceiro agressivo? (ESTEBAN, 2011; FERNANDEZ, 2009)
A socióloga Irantzu Fernandez, em sua revisão de estudos sobre jovens do País Basco, compreendeu que a violência de gênero sofrida por adolescentes e jovens de Bilbao apresentava como pano de fundo uma ideia chamativa: a maioria das garotas entrevistadas pensavam que o amor era suficiente para enfrentar condutas agressivas de parceiros.
O romance apresentado culturalmente como ideal e hegemônico objetiva transfigurar a vida cotidiana de modo tal que se possa restaurar as condições de um paraíso perdido (ILLOUZ, 2009). A crença de que o amor é capaz de romper quaisquer barreiras esconde os elementos da sociedade capitalista: o dinheiro, a produção e o lucro, atravessados pelas violentas relações de gênero, classe e raça de um mundo colonizado. Essas relações se traduzem, inclusive, na quantidade alarmente de crimes violentos cometidos contra mulheres no Brasil.
"Mas eu posso fazer ele mudar". Será?
Inúmeros materiais midiáticos e disseminados em redes sociais são massivamente consumidos e apresentam a mesma ideia do velho conto da Bela e a Fera: jovens e belas mulheres são capazes de transformar uma Fera em Príncipe, caso abram mão de sua liberdade, segurança e identidade, em favor de uma vida dedicada ao cuidado do outro. A vida dedicada ao cuidado e à tolerância da violência é glamourizada nas redes sociais como um verdadeiro “American Dream”, recompensada pelas possibilidades de ser uma “esposa troféu” em um paraíso doméstico de consumo. Mas o paraíso levanta uma questão: se desejarmos mais do que ele oferece, onde cairemos? O paraíso esconde a exploração de todo o trabalho realizado, sobretudo, por mulheres - e, ainda mais, por pessoas negras e marginalizadas. No verdadeiro cenário de um país colonizado e profundamente desigual, uma “esposa troféu” é, na maioria das vezes, uma dona de casa sobrecarregada e vítima de inúmeras violências.
Assim como o American Dream, a utopia romântica da Bela e a Fera só serve para alimentar os já privilegiados.
O amor não é capaz de impedir a violência.
A violência se combate coletivamente, sistematicamente, com políticas públicas e transformações a nível simbólico e material.
Sozinha, nunca.
A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 é um serviço de utilidade pública essencial para o enfrentamento à violência contra as mulheres. A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. O Ligue 180 presta os seguintes atendimentos:
- orientação sobre leis, direitos das mulheres e serviços da rede de atendimento (Casa da Mulher Brasileira, Centros de Referências, Delegacias de Atendimento à Mulher (Deam), Defensorias Públicas, Núcleos Integrados de Atendimento às Mulheres, entre outros.;
- informações sobre a localidade dos serviços especializados da rede de atendimento;
- registro e encaminhamento de denúncias aos órgãos competentes;
- registro de reclamações e elogios sobre os atendimentos prestados pelos serviços da rede de atendimento.
É possível fazer a ligação de qualquer lugar do Brasil ou acionar o canal via chat no Whatsapp (61) 9610-0180. Em casos de emergência, deve ser acionada a Polícia Militar, por meio do 190.
(https://www.gov.br/mulheres/pt-br/ligue180)
Referências
ESTEBAN, M. L. Crítica del pensamiento amoroso. Temas contemporáneos. Barcelona: Edicions Bellaterra, 2011.
FERNÁNDEZ, I. Maitasuna nerabeen arteko genero sozializazio prozesuetan. Maitasunaren diskurtso eta praktikak. Jarraipen, tentsio, gatazka eta hausturen aniztasuna, Trabajo de investigación, Master en Estudios Feministas y de Género (curso 2008-2009), Universidad del País Vasco/Euskal Herriko Unibertsitatea.
ILLOUZ, E. El consumo de la utopía romántica. Buenos Aires: Katz, 2009.
Quem sou eu?

Jackeline de Araujo Souza
CRP:

09/22677
Atendimento:
Online
Olá, seja muito bem-vinda(o)! Meu nome é Jackeline de Araújo. Estou aqui para te oferecer um espaço positivo e acolhedor, em um ambiente leve e profissional para que você se sinta confortável em expressar sua dor. Aqui cada processo é único, conduzo seu acompanhamento de forma individualizada, respeitando seu próprio tempo e história.
Sou psicóloga clínica com abordagem em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Essa abordagem tem como objetivo identificar e modificar padrões de pensamento, emoções e comportamentos disfuncionais que causam sofrimento ou impactam a qualidade de vida.
O primeiro passo para a mudança é se permitir reconhecer. Vamos encontrar o equilíbrio juntos?
Valor da Sessão / Tempo de duração
R$ 40,00
/
40 minutos
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