
Autoestima não é só sobre se amar todos os dias.
A autoestima real não aparece nas fotos bonitas nem nas frases de efeito. Ela aparece nas escolhas pequenas do dia a dia.
13 de abr. de 2026
Geziany Aparecida Oliveira
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A palavra autoestima virou quase um produto. Aparece em posts motivacionais, em capas de livros de autoajuda e em várias propagandas. Tudo isso criou uma ideia bastante distorcida do que ela realmente significa e do que ela exige.
A versão mais popular diz que autoestima é acordar se sentindo bem consigo mesmo. É olhar no espelho e gostar do que vê. É aquela confiança, a postura e o sorriso. Mas na prática não é bem assim.
Autoestima de verdade não é um estado permanente de satisfação. É uma relação que você constrói com você mesmo ao longo do tempo, com altos, baixos, rupturas e reconciliações. Quem tem autoestima saudável também tem dias ruins, também duvida, também erra. A diferença é o que acontece depois.
O que não é autoestima: não é arrogância, não é ausência de inseguranças, não é gostar de tudo em si mesmo o tempo todo. Não é postar uma foto confiante nas redes sociais, tampouco é nunca precisar de validação.
O que é autoestima de verdade: é conseguir errar sem se destruir, pedir desculpas sem se humilhar, receber uma crítica sem entrar em colapso (mas também sem engolir o que não faz sentido), saber o que você valoriza e agir de acordo com isso, mesmo quando é difícil. É se tratar com a mesma gentileza que você ofereceria a um amigo que está sofrendo.
Essa última parte costuma ser a mais difícil, porque muita gente aprendeu cedo que exigência é sinônimo de cuidado. Que se cobrar muito é o que faz crescer, que descansar é preguiça, que errar é fracasso, que precisar de ajuda é fraqueza. E aí a autoestima vai sendo construída sobre uma base de autocrítica tão intensa que qualquer tropeço vira prova de que não se é suficiente.
Construir autoestima não é um exercício de pensar positivo. É um trabalho mais profundo de entender de onde vêm essas crenças sobre si mesmo, questionar o que foi aprendido e, aos poucos, criar uma relação mais honesta e gentil com quem você é.
Esse processo raramente acontece sozinho. E não precisa.
Geziany Oliveira
Psicóloga - CRP 16/12307
Instagram: @psigeziany
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