
Dentro da prática clínica, é comum observar que grande parte dos conflitos e do sofrimento nos relacionamentos não nasce da falta de afeto, mas do peso silencioso das expectativas não ditas. Frequentemente, entramos em uma parceria carregando um roteiro invisível sobre como o outro deveria agir, sentir e reagir. Esperamos que o parceiro adivinhe nossas necessidades, supra lacunas emocionais antigas ou valide constantemente nossa identidade. Quando a realidade inevitavelmente diverge desse ideal construído, a frustração surge não pelo que o outro fez, mas pela distância entre a pessoa real e a projeção que criamos dela.
A maturidade emocional em um casal começa quando aprendemos a diferenciar necessidades legítimas de fantasias de preenchimento. É plenamente saudável esperar respeito, lealdade, reciprocidade e acolhimento; o problema surge quando depositamos no outro a responsabilidade exclusiva pela nossa felicidade ou pela resolução de carências que pertencem à nossa própria história. O parceiro deve ser um companheiro de jornada, não o terapeuta, nem o garantidor de nossa autoestima.
Para construir uma dinâmica mais leve e funcional, o caminho passa inevitavelmente pela transição do pressuposto para o diálogo direto. Isso exige trocar a ilusão da telepatia pelo alinhamento constante, lembrando que ninguém tem a obrigação de ler mentes e que explicitar desejos, limites e desconfortos com clareza previne o acúmulo de ressentimentos. Da mesma forma, torna-se essencial flexibilizar os roteiros mentais, compreendendo que as pessoas mudam e que a capacidade de renegociar acordos ao longo do tempo é o que permite que a parceria se mantenha viva.
Por fim, o desenvolvimento da autoresponsabilidade é indispensável para reconhecer quais dores ou exigências são apenas projeções do próprio passado, impedindo que o parceiro seja punido por feridas que não causou. Acolher o outro como um ser humano imperfeito com virtudes, limitações e uma história própria é o ato mais profundo de amor e respeito que se pode oferecer. Quando abrimos mão da ilusão do parceiro idealizado, abrimos espaço para viver um encontro real, maduro e verdadeiramente transformador.
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Sou Leonardo Gaspar Pimentel, psicólogo clínico especializado em Terapia Cognitivo-Comportamental. Minha atuação une o rigor de uma abordagem cientificamente reconhecida a uma escuta atenta e sem julgamentos. Se você considera começar a terapia, este é um espaço construído para receber você.
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