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Crises existenciais não são doenças!

Amadurecer pode exigir sofrimento

12 de mai. de 2026

Mateus Aviani Mesquita

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Psicologia

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Há uma ideia importante em Jung que talvez hoje tenha perdido espaço em meio à tendência de transformar todo sofrimento em disfunção: a de que existem questões fundamentais da existência humana das quais ninguém escapa. Em algum momento da vida, cedo ou tarde, o indivíduo será confrontado com problemas como o sentido da própria existência, a solidão e a morte. Essas experiências não são apenas comuns, mas intrínsecas à condição humana.

 

Nesse sentido, Jung compreendia que parte do sofrimento psíquico não nasce simplesmente de um "mau funcionamento" da mente, mas da maneira como o sujeito se posiciona diante dessas questões inevitáveis. Há pessoas que tentam evitá-las inteiramente por meio da hiperatividade, do desempenho, do consumo ou de qualquer outra forma de escapismo. Outras aderem a respostas prontas, superficiais ou artificiais que oferecem sensação momentânea de estabilidade, mas que desmoronam em pouco tempo porque não têm a profundidade necessária para dar sentido àquela existência.

 

Jung é categórico: o homem se torna neurótico quando se contenta com respostas falsas ou insuficientes para os grandes problemas da vida. Em outras palavras: algo na vida interior está exigindo elaboração, enquanto o ego insiste em permanecer preso a soluções estreitas, falsas ou imaturas.

 

Jung percebia que o ser humano não vive apenas de estabilidade material ou adaptação social. Existe também uma necessidade de integração psíquica, de construção de sentido e de confronto honesto com a própria interioridade. Quando essas dimensões são continuamente negligenciadas, o sofrimento tende a aparecer não necessariamente como sinal de fraqueza, mas como indicativo de que a estrutura psíquica construída até então já não consegue responder às exigências mais profundas do ser.

 

Em última análise, devemos reconhecer que todos nós devemos nos confrontar com as grandes questões da vida. Sob essa perspectiva, crises existenciais não são panes ou defeitos a serem ser eliminados. A crise pode representar precisamente o colapso de respostas antigas que já não conseguem sustentar a vida psíquica. E talvez uma das tarefas mais difíceis da maturidade seja justamente abandonar respostas fáceis em favor de um contato mais verdadeiro com a própria existência, por mais doloroso que esse processo possa ser.

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Sou psicóloga clínica, com abordagem em Psicologia Analítica (Junguiana), e atuo com um olhar acolhedor para questões como TDAH, ansiedade, depressão e TOC. Acredito que cada pessoa tem uma história única e merece ser ouvida com respeito, empatia e sem julgamentos. Meu objetivo é oferecer um espaço seguro e acolhedor para que você possa se conhecer melhor, compreender suas emoções e construir novos caminhos. ♡

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