top of page

Entre a ânsia de ter e o tédio de possuir.

Sobre a oscilação que esgota — e por que ela não para sozinha.

18 de jun. de 2026

Arthur Almeida Caram Andre

00:00 / 01:04
Autoconhecimento

Ouça esse artigo usando o player acima.

  • Texto em 4 linhas​

  • ​Texto em 4 linhas

  • ​Texto em 4 linhas

  • Texto em 4 linhas

image_edited.png
Terappia Logo

Existe um padrão que aparece muito na clínica — e que quem vive reconhece imediatamente, mesmo sem ter nome para ele. É uma oscilação. Uma gangorra interna que vai de um extremo ao outro sem aviso, sem meio-termo, e sem descanso.

Em um momento, você é aquele que dá conta. O que organiza, planeja, entrega, sustenta. O que resolve o que os outros não resolvem e ainda sobra energia pra mais. Existe uma satisfação nisso — quase uma euforia silenciosa de estar no controle. De ser suficiente. De não precisar de nada.

E então, sem que você entenda exatamente como, tudo rui.

"Do topo ao fundo do poço não é uma queda — é um colapso que você mesmo foi construindo, tijolo por tijolo, cada vez que fingiu que a falta não existia."

De repente você é o mais atrasado, o mais faltoso, o mais incompleto. Aquele que procrastinou demais, que não fez o suficiente, que deixou tudo acumular. A mesma pessoa. A mesma vida. Um ângulo completamente diferente — e igualmente distorcido.

A psicanálise, especialmente na leitura da neurose obsessiva, entende essa dinâmica com precisão cirúrgica. O sujeito obsessivo não suporta ser confrontado com a falta — com a castração, com a incompletude estrutural que é condição de todo ser falante. Então ele constrói um sistema de defesa sofisticado: elabora metas, organiza rotinas, acumula conquistas, supre necessidades antes mesmo de senti-las. Tudo para não ter que parar e olhar para o vazio.

Mas a falta não some. Ela só espera.

"Você não estava preenchendo a vida. Estava empilhando coisas na frente do que não queria ver."

E quando o sistema colapsa — quando a posição de completude fica insustentável demais — a falta volta com juros. E como o sujeito nunca treinou estar com ela, nunca desenvolveu tolerância para a angústia que ela traz, o impacto é desproporcional. O que poderia ser um tropeço vira queda livre.

A neurociência entra aqui com uma camada a mais. Toda essa dinâmica tem um substrato bioquímico real: a dopamina. Quando você está no ciclo de conquista e controle, o sistema dopaminérgico está em alta — antecipação, recompensa, mais antecipação. Mas receptores dopaminérgicos se saturam. Quanto mais você os estimula, mais tolerância desenvolve, e mais esforço precisa para sentir o mesmo nível de satisfação.

O resultado é que o topo vai ficando cada vez mais curto. A euforia do controle dura menos. E a queda subsequente parece mais longa — não porque o fundo ficou mais fundo, mas porque o topo foi perdendo altura sem que você percebesse.

Schopenhauer descreveu isso antes de qualquer neurociência existir: entre a ânsia de ter e o tédio de possuir. O desejo sempre supera o objeto desejado. A conquista nunca entrega o que a antecipação prometeu. E então o ciclo recomeça — porque parar significaria ficar com o vazio.

Não é fraqueza. Não é falta de disciplina. É uma estrutura que encontrou uma solução para a angústia — e que paga um preço alto por essa solução.

O caminho não é eliminar a oscilação pela força. É aprender, gradualmente, a sustentar a falta sem precisar tapá-la imediatamente. A tolerar o vazio o tempo suficiente para descobrir que ele não mata. E que do outro lado dele, existe algo mais sólido do que qualquer conquista provisória.

A falta não é o problema.
O problema é o que você faz para nunca precisar olhar para ela.

Sustentar a angústia sem fugir dela — esse é o trabalho. E é exatamente aí que a terapia começa.

Quem sou eu?
Image-empty-state.png
perfil_verificado_logo-removebg-preview.png

Thainara Araujo Oliveira

CRP:

botao-whatsapp.png

11/22068

classificação média é 3 de 5, com base em 0 votos, Avaliações

Atendimento:

Online

✨ Oie, eu sou a Thainara!

Psicóloga de Fortaleza, cuido de jovens e adultos que estão sentindo o peso da vida profissional: esgotamento, sobrecarga, dilemas de carreira e aquele sentimento de que o trabalho tem engolido tudo. Através da Terapia Cognitivo-Comportamental, ajudo meus pacientes a reencontrarem equilíbrio, saúde emocional e qualidade de vida.

Acredito que a terapia é um respiro necessário em meio à correria, um espaço de pausa, de escuta e reconstrução, vamos juntos? 🤍

Valor da Sessão / Tempo de duração

R$ 80,00

/

50 minutos

Últimas publicações desse Terappeuta

O que é compulsão por alimentos e como ela impacta a saúde mental?

Marketing - Terappia

31 de out. de 2026

O que é compulsão por alimentos e como ela impacta a saúde mental?

Ciúme competitivo: entendendo suas causas e impactos emocionais

Marketing - Terappia

31 de out. de 2026

Ciúme competitivo: entendendo suas causas e impactos emocionais

Como identificar seus valores pessoais e tomar decisões mais conscientes

Marketing - Terappia

31 de out. de 2026

Como identificar seus valores pessoais e tomar decisões mais conscientes

bottom of page