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Entre o controle e a entrega

Quando segurar tudo pesa mais do que soltar

22 de set. de 2025

Gustavo Gonçalves Oliveira

Saúde mental
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A vontade de controlar nasce quase sempre do medo. Medo de que algo dê errado, de que as pessoas nos decepcionem, de que o futuro nos derrube de surpresa. É como se, se mantivéssemos todas as rédeas bem firmes, a vida obedecesse ao que planejamos. Mas na prática o controle é uma ilusão cansativa.

 

O problema é que não controlar também assusta. Abrir mão significa encarar a incerteza. E a incerteza é o lugar onde a ansiedade se alimenta. Então ficamos nesse meio-termo: planejando demais, revisando tudo mil vezes, ensaiando diálogos na cabeça, acumulando estratégias para evitar que o imprevisto apareça. E ainda assim ele aparece.

 

Quantas vezes você já percebeu que, mesmo com tanto esforço, algo saiu completamente diferente do esperado? E o pior: depois de tanto gasto de energia, sobra a sensação de fracasso. Como se tivéssemos falhado em algo que nunca esteve nas nossas mãos de verdade.

 

O controle pode ser uma prisão invisível. Quem tenta segurar tudo acaba também limitando as possibilidades. É como se, com medo do inesperado, fechássemos as portas por onde poderia entrar o novo. O peso de manter-se sempre no comando rouba a espontaneidade, o prazer de se surpreender, a leveza do improviso.

 

Aprender a entregar não significa virar as costas para a vida e deixar que tudo aconteça ao acaso. É diferente. Entregar é reconhecer os limites do que podemos ou não segurar. É assumir responsabilidade pelo que está no nosso alcance, mas aceitar que há coisas que simplesmente não se controlam.

 

Talvez a verdadeira coragem esteja aí: suportar não saber, estar aberto ao que vem, confiar um pouco mais na própria capacidade de lidar com o inesperado. Porque no fundo, o que mais cansa não é a vida em si, mas essa luta constante para que ela siga exatamente o roteiro que inventamos.

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