
Tem uma ideia que me incomoda: a de que escutar é algo “natural”. Não é. Escutar de verdade dá trabalho. Exige sustentar silêncio, tolerar ambivalência e abrir mão da pressa de resolver. Em tempos de respostas rápidas e diagnósticos apressados, escutar virou quase um ato de resistência. Na clínica, a escuta não é passiva. Ela organiza o caos, dá contorno ao indizível e devolve ao sujeito algo que muitas vezes lhe foi tirado: a própria narrativa. Quando alguém fala e é efetivamente ouvido, acontece um deslocamento. A dor deixa de ser só sintoma e passa a ter história, contexto, atravessamentos. Isso é ainda mais evidente quando pensamos em pessoas que vivem processos de exclusão, como egressos do sistema prisional, população em situação de rua, usuários da rede pública de saúde mental. O sofrimento psíquico, nesses casos, não nasce no vazio. Ele é atravessado por estigma, desigualdade, violência institucional e silenciamento. Se a escuta ignora isso, ela vira técnica fria. Se reconhece, vira ferramenta de transformação. A romantização da “felicidade obrigatória” também entra nesse jogo. Existe uma pressão constante para estar bem, produtivo, funcional. Mas a clínica não é um lugar de performance emocional. É um espaço onde sentir, inclusive raiva, tristeza, frustração, é legítimo. O direito de não estar bem é, paradoxalmente, parte do cuidado. Escutar é político porque reconhece o sujeito como alguém que tem algo a dizer e que isso importa. É clínico porque, quando alguém se escuta através do outro, pode começar a reorganizar seus próprios sentidos. Não se trata de “salvar” ninguém. Trata-se de sustentar presença. Às vezes, o que mais transforma não é a intervenção brilhante, mas a constância de alguém que fica. No fim das contas, a pergunta não é “como eu resolvo isso?”, mas “como eu sustento essa escuta?”. A prática muda quando a pergunta muda. E talvez a psicologia mais humana seja justamente essa: menos espetáculo, mais presença.
Quem sou eu?

Larissa Sardi Fagiolo Montanher
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Online
Olá! Me chamo Larissa, sou psicóloga clínica, graduada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) desde 2017. Minha atuação é fundamentada na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), abordagem que busca compreender a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos, promovendo o autoconhecimento e o desenvolvimento de estratégias para lidar com os desafios da vida.
Realizo atendimentos psicológicos a crianças e adultos, nas modalidades presencial e on-line, oferecendo um espaço de escuta, acolhimento e cuidado, respeitando a individualidade e as necessidades de cada pessoa.
Acredito que cada pessoa carrega consigo uma história única, com sentimentos, experiências e desafios que merecem ser acolhidos com carinho e respeito. Por isso, meu objetivo é oferecer um espaço seguro, leve e livre de julgamentos, onde você possa se sentir à vontade para falar sobre o que sente e vivencia.
Na psicoterapia, caminhamos juntos em um processo de autoconhecimento, compreensão das emoções e desenvolvimento de recursos para lidar com as dificuldades do dia a dia. Cada etapa é conduzida com escuta sensível, empatia e respeito ao tempo e à individualidade de cada pessoa.
Você não precisa ter todas as respostas para começar. A terapia pode ser um espaço para se conhecer melhor, fortalecer-se emocionalmente e construir novas possibilidades para sua vida.
Valor da Sessão / Tempo de duração
R$ 40,00
/
40 minutos
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