
As identidades são construídas socialmente, ou seja, como cada pessoa se forma a partir dos comportamentos, das palavras e das normas que aprende e reproduz. “Identidade performática” é quando as pessoa acaba seguindo padrões de gênero e comportamento considerados “normais” pela sociedade. No entanto, quem não se encaixa nesses padrões — por exemplo, pessoas LGBTQIAP+ — muitas vezes sofre exclusão, preconceito e marginalização por simplesmente ser diferente do que se espera.
Pessoas excluídas pela sociedade, como a comunidade LGBTQIAP+, têm suas vidas desvalorizadas e sua humanidade ameaçada, pois são tratadas como inferiores. Esse processo acontece, por exemplo, quando homens gays afeminados são ridicularizados por não se adequarem à ideia tradicional de masculinidade. Ainda hoje, muitos associam o feminino à fraqueza e o masculino à força, reforçando uma visão machista e heteronormativa que causa grande sofrimento a quem foge dessa regra social.
Devido a essas imposições e preconceitos, muitos homens gays enfrentam dificuldades para se aceitar e se sentirem pertencentes. A exclusão e a rejeição social podem levar a quadros de ansiedade, depressão e até tentativas de suicídio. Pesquisas mostram que jovens gays e lésbicas, bissexuais e transgênero têm risco muito maior de tentar o suicídio em comparação com jovens heterossexuais, justamente pela dor de não serem aceitos. O preconceito e o isolamento não vêm da orientação sexual em si, mas da forma como a sociedade a trata.
Durante muito tempo, a homossexualidade foi vista como uma doença, e a psicologia — assim como outras áreas — reproduziu práticas que tentavam “curar” pessoas LGBTQIAP+. Esse olhar patologizante gerou grandes traumas e ainda persiste em alguns profissionais despreparados. Por isso, o Conselho Federal de Psicologia estabeleceu, desde 1999, que a homossexualidade não é doença, proibindo práticas que incentivem a ideia de “cura gay” ou qualquer tipo de intervenção que negue a identidade de uma pessoa.
Hoje, Os profissionais da saúde mental acolham, respeitem e ajudem pessoas LGBTQIAP+ a ressignificarem suas vivências, compreendendo que o sofrimento muitas vezes vem do preconceito, e não de quem elas são. O papel do terapeuta é apoiar, escutar e ajudar o paciente a se reconhecer e se fortalecer — não a mudar sua identidade. A clínica deve ser um espaço de liberdade, aceitação e amor próprio, onde cada sujeito possa viver feliz graças à sua singularidade, e não apesar dela.
Geovanna Moreira Bastos | Psicóloga e psicanalista - CRP 01/30116
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