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Mês das mulheres

9 de mar. de 2026

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Mulher

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O que são os RedPill?

 

De acordo com Santos (2025), “Red Pill é um grupo de homens que espalham ideias contrárias à igualdade de gênero, tentando justificar que vivemos em uma sociedade ‘manipulada por mulheres’. No Brasil, o crescimento dessa falácia tem ampliado o alcance da violência simbólica e psicológica contra o público feminino em plataformas digitais”.

 

As falas nos vídeos de Redpill estão dentro de um contexto de um “retorno” ilusório do que seriam os papéis de gênero. Constrói-se uma narrativa patriarcal, categorizando comportamentos ao gênero como se fosse algo natural, biológico.

 

Trata-se de um discurso com o objetivo de associar os papéis de gênero dentro de uma divisão. Nos vídeos, é associado o que seria “coisa” de homens — poder, dominância, dinheiro — tornando o homem como sujeito: o sujeito que fala, pensa e produz sobre o corpo do Outro. Esse outro sendo as mulheres, associando o papel do que seria “ser mulher” — relacionado à feminilidade, à submissão e à obediência. Tudo o que está além disso é colocado como desvio.

 

O que esses conteúdos dizem é sobre um determinado papel, um determinismo biológico — a mulher é esse Outro que não se faz sujeito, mas objeto.

 

É dentro desses conteúdos naturalizados nas redes sociais, de uma valorização da “feminilidade” colocada como características “inerentes às mulheres” — padrão de beleza, trabalho de cuidados da casa e das pessoas, maternidade, etc. — que conteúdos de esposas “perfeitas” e de “energia masculina” e “energia feminina” tornam-se solo fértil para uma alienação em relação à consciência nociva desses discursos, que são políticos.

 

A pensadora Simone de Beauvoir (1967), ao realizar um trabalho filosófico sobre a condição feminina, permitiu ampliar as concepções diante de uma sociedade que atrelava sexo e gênero a condições ditas como naturais. No seu livro O Segundo Sexo – volume II, a autora discorre: “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade” (Beauvoir, 1967, p. 9).

 

Ou seja, o órgão sexual não designa o gênero, e “tornar-se mulher” está atrelado à esfera cultural, a modelos de feminilidade sob uma ótica de inferioridade, comparada à masculina.

 

O que ocorre com o Red Pill é fazer o que historicamente ocorre: a misoginia, o ódio às mulheres, mas que utiliza das ferramentas — a internet e os meios digitais — e dos novos contextos para modificar as palavras. Porém, o discurso é o mesmo que Simone de Beauvoir já colocava em 1960.

 

No final, esses conteúdos parecem ser “despretensiosos”, mas reafirmam uma narrativa perigosa.

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