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JOGOS: O Gancho da "Vergonha e do Segredo"

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29 de abr. de 2026

Kenikeli de Paula

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Saúde mental

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O Mecanismo de Manutenção: Reforçamento Intermitente

 

O principal fator que torna o jogo viciante é o Esquema de Reforçamento de Razão Variável (VR). Diferente de uma máquina de vendas (onde você insere o dinheiro e o produto sempre sai), no jogo o reforço (ganhar) ocorre após um número imprevisível de respostas.

  • Resistência à Extinção: Esse esquema produz uma alta taxa de resposta e é o mais resistente à extinção. Como o próximo ganho pode acontecer a qualquer momento, o indivíduo continua emitindo o comportamento, mesmo diante de longos períodos de perda.
  • O "Quase Ganhei" (Near-Miss): Estímulos que sinalizam a proximidade do ganho funcionam como reforçadores secundários, mantendo o jogador engajado na atividade.

Análise Funcional: Por que o indivíduo joga?

O comportamento de jogar geralmente é mantido por duas funções principais:

  1. Reforço Positivo (Acesso): A busca pela euforia da vitória, pela descarga de dopamina ou pelo ganho financeiro imediato.
  2. Reforço Negativo (Fuga/Esquiva): Talvez a função mais comum em casos graves. O jogo serve como uma forma de "anestesiar" ou esquivar-se de sentimentos de tédio, ansiedade, depressão ou problemas financeiros e familiares. Ao focar na tela, o indivíduo interrompe o contato com a realidade aversiva.

O Papel dos Estímulos Discriminativos

O ambiente de jogo é repleto de (luzes, sons, notificações de aplicativos, cores vibrantes) que sinalizam a disponibilidade do reforço. Com o tempo, esses estímulos passam a exercer um forte controle sobre o comportamento do indivíduo, tornando a resposta de jogar quase automática diante da presença do celular ou de uma casa de apostas.

 

Referência Bibliográfica (ABNT)

MOREIRA, Márcio Borges; MEDEIROS, Carlos Augusto de. Princípios Básicos de Análise do Comportamento. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2018.

SKINNER, Burrhus Frederic. Ciência e Comportamento Humano. 11. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

CATANIA, A. Charles. Aprendizagem: Comportamento, Cognição e Metacognição. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.

 

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