
As manchetes recentes tem sido brutais:
Homens que espancam animais, agridem mulheres e destroem vidas por "motivos fúteis".
A sociedade chama de "monstruosidade", mas a psicanálise revela algo muito mais patético: o descontrole é o grito de um bebê num corpo de adulto.
O segredo que o "machão" esconde é uma imensa incapacidade de lidar com a própria falta. Para Freud e Winnicott, a violência não é sinal de virilidade, é um sintoma de falência psíquica.
Em qual falha surge o “Machão” vocês se perguntam?
Quando a triangulação edípica falha no processo de amadurecimento, seja por um pai ausente, omisso ou por uma mãe que não permite restrições, o individuo cresce com um Ego inflado e sem limites.
Sem a interiorização da Lei, o homem se comporta como o "pai tirano" que Freud descreve em Totem e Tabu. Ele acredita que as regras só servem para os outros. Para ele, qualquer "não" (seja de uma mulher, de um guarda de trânsito ou de uma lei ambiental) é sentido como uma agressão insuportável ao seu narcisismo.
Quando esse Individuo agride um animal ou uma pessoa, ele está regredindo a um estágio pré-edípico. Ele não consegue usar a linguagem (simbólico) em situações de interesse e conflitos, então usa o corpo e a força (o real).
Por trás da postura de Machão, existe alguém que nunca aceitou a castração. É um adulto que ainda opera na lógica do "eu quero, eu posso", incapaz de suportar a existência de algo para além dele.
O Machão é um ser condenado?
Não necessariamente.
Todo ser humano possui uma tendência inata ao amadurecimento, mas, quando os ambientes facilitadores falham, o indivíduo pode desenvolver um Falso Si-Mesmo como estratégia de sobrevivência. Nessa condição, ele passa a agir conforme as expectativas externas para se proteger.
Felizmente, essa máscara pode ser desconstruída em terapia. Por meio da responsabilização, do acolhimento e de uma relação terapêutica saudável, é possível integrar a existência do 'outro' e das regras, permitindo que o verdadeiro eu floresça.
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