
A culpa não precisa ser o combustível da maternidade
Muitas mulheres sentem culpa quando descansam.
“Eu deveria estar fazendo alguma coisa.”
Essa frase, aparentemente simples, pode revelar uma relação difícil com o descanso. Como se parar fosse permitido somente depois que todas as tarefas fossem concluídas.
O problema é que, na rotina real, as tarefas nunca terminam completamente.
Por isso, esperar “dar conta de tudo” para então descansar pode significar nunca descansar.
É importante compreender que descanso não é prêmio por produtividade. Ele é uma necessidade humana.
Ferramentas simples para aliviar a tensão do cotidiano
Não existe uma técnica capaz de eliminar todas as dificuldades da maternidade. Porém, algumas estratégias podem ajudar a reduzir a tensão e criar pequenos espaços de cuidado ao longo do dia.
1. A pausa consciente
Reserve alguns minutos para interromper aquilo que está fazendo.
Sente-se, apoie os pés no chão e faça algumas respirações lentas. Observe o ar entrando e saindo, sem tentar resolver nenhum problema naquele momento.
Mesmo uma pausa de três minutos pode representar uma mudança importante quando incorporada à rotina.
2. Respiração diafragmática
Quando estamos tensos, nossa respiração pode ficar mais rápida e superficial.
Uma estratégia simples é inspirar lentamente pelo nariz, permitindo que o abdômen se movimente, e depois soltar o ar de maneira tranquila e prolongada.
Repita algumas vezes, concentrando-se no movimento da respiração.
O objetivo não é “não sentir ansiedade”, mas oferecer ao corpo alguns momentos de desaceleração.
3. A lista do que realmente precisa ser feito
A sobrecarga aumenta quando tentamos manter todas as tarefas na cabeça.
Uma alternativa é colocar no papel aquilo que precisa ser realizado e separar em três grupos:
- Precisa ser feito hoje;
- Pode esperar;
- Pode ser delegado.
Essa última categoria é especialmente importante.
Nem tudo precisa ser feito pela mãe.
4. Dividir responsabilidades
Delegar não significa fracassar. Significa reconhecer que uma família é uma rede de pessoas e que as responsabilidades podem ser compartilhadas.
Quando possível, converse com companheiro(a), familiares ou outras pessoas de confiança sobre a divisão das tarefas.
Não se trata apenas de “ajudar a mãe”. Trata-se de compartilhar responsabilidades que pertencem à família.
5. Pequenos momentos de prazer
O autocuidado não precisa começar com grandes mudanças.
Pode ser tomar um café com tranquilidade, ouvir uma música, caminhar, ler algumas páginas de um livro, conversar com uma amiga, cuidar das plantas ou simplesmente ficar alguns minutos em silêncio.
Pergunte a si mesma:
“O que eu fazia antes da rotina ficar tão corrida que me fazia sentir bem?”
Talvez exista algo que possa ser retomado aos poucos.
6. Aprender a dizer “não”
Nem toda solicitação precisa ser aceita.
Estabelecer limites pode ser desconfortável inicialmente, principalmente para mulheres acostumadas a cuidar das necessidades de todos.
Mas dizer “não posso agora” ou “isso não cabe na minha rotina neste momento” também é uma forma de autocuidado.
7. Trocar a cobrança pela autocompaixão
Imagine que uma amiga estivesse vivendo exatamente o que você está vivendo.
Você provavelmente não diria a ela:
“Você deveria conseguir fazer mais.”
Talvez dissesse:
“Você está fazendo o que consegue.”
Experimente oferecer a si mesma essa mesma compreensão.
Ser uma boa mãe não significa ser uma mãe perfeita.
E quando a sobrecarga parece grande demais?
Há momentos em que pequenas mudanças na rotina não são suficientes.
Se o cansaço, a irritabilidade, a ansiedade, a tristeza ou a sensação de incapacidade estiverem persistentes e interferindo significativamente na vida cotidiana, procurar ajuda profissional pode ser importante.
A psicoterapia pode oferecer um espaço de escuta e reflexão para compreender a sobrecarga, identificar padrões de cobrança, trabalhar limites, fortalecer recursos emocionais e construir maneiras mais saudáveis de lidar com as demandas da vida.
Você não precisa carregar tudo sozinha
A maternidade pode ser uma experiência de amor, vínculo e realização, mas também pode envolver cansaço, dúvidas, frustrações e momentos de profunda exaustão.
Reconhecer isso não diminui o amor pelos filhos.
Pelo contrário: reconhecer os próprios limites é também reconhecer a própria humanidade.
Talvez o primeiro passo não seja perguntar:
“Como posso dar conta de tudo?”
Mas sim:
“O que eu posso deixar de carregar sozinha?”
Porque cuidar de si não significa amar menos os outros.
Significa lembrar que você também faz parte daquilo que precisa ser cuidado.
Quem sou eu?

Ana Julia Angelo da Silva
CRP:

18/10328
Atendimento:
Online
Me chamo Ana Julia, sou Formada em Psicologia e atuo pelo viés da psicanálise. Atendo mulheres adolescentes, jovens, adultas e publico LGBTQIAPN+. Atendimentos com duração de 50 min.
Demandas relacionadas à ansiedade, depressão, relacionamentos e entre outros. Se você está passando por essas questões a terapia é um lugar para você falar sobre isso!!
Valor da Sessão / Tempo de duração
R$ 80,00
/
50 minutos
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