
De tempos em tempos, os anos 80 voltam. Já voltaram no cinema, na música, nas roupas, nos cortes de cabelo. Tênis que pareciam esquecidos reaparecem nas vitrines, jaquetas largas e cores que ninguém usava há décadas ganham as redes sociais de novo. A nostalgia é um motor poderoso: ela promete reencontro com algo que já foi bom, mesmo quando esse algo nunca foi vivido por quem está aderindo à moda.
Com as masculinidades acontece algo parecido. Formas de ser homem que pareciam superadas voltam a aparecer, às vezes com uma roupagem nova, às vezes quase do mesmo jeito de antes.
O que a nostalgia masculina costuma trazer de volta
Quando se fala em resgatar uma "masculinidade mais clássica" ou um tempo em que "homem era homem", geralmente volta junto um pacote específico: provedor único, pouca expressão emocional, autoridade inquestionável dentro de casa, desconfiança do que é considerado delicado demais. É um estilo vendido como atemporal, mas que na prática pertence a um contexto histórico específico, com seus próprios custos.
Assim como uma roupa antiga pode não servir mais no corpo de hoje, um modelo de masculinidade pensado para outra época também pode não caber na vida atual, com outras divisões de trabalho doméstico, outras formas de família e outras expectativas sobre afeto e cuidado.
Por que essas modas voltam
Existe algo reconfortante em revisitar o passado, ainda mais em tempos de muitas mudanças e incertezas. Pode parecer mais simples voltar para um roteiro já conhecido do que construir um caminho novo. O problema é que esse roteiro geralmente deixa de fora quem não se encaixava nele desde o início, como homens mais sensíveis, homens gays e bissexuais, homens que preferem cuidar a mandar.
Além disso, roupas voltam porque alguém decide que é hora de vendê-las de novo. Com comportamentos acontece parecido: discursos sobre "resgatar a masculinidade perdida" também circulam porque têm quem lucre com essa mensagem, seja vendendo cursos, conteúdo ou pertencimento a um grupo.
Nem tudo que volta precisa ser igual
Um detalhe interessante sobre moda é que ela raramente volta idêntica. Uma peça dos anos 80 reaparece hoje com um corte diferente, um tecido diferente, combinada de um jeito que não existia na época. A referência ao passado está ali, mas reinventada.
Isso também pode acontecer com a masculinidade. É possível reconhecer valor em características associadas a gerações anteriores, como responsabilidade, presença, capacidade de proteger, sem precisar trazer de volta o pacote inteiro, com tudo que ele tinha de silenciamento emocional e rigidez. Dá para ser presente sem ser autoritário, provedor sem abrir mão da própria vida emocional, forte sem abrir mão de pedir ajuda quando precisa.
O convite não é contra o passado
Olhar para trás pode ensinar bastante, inclusive mostrar o que funcionava bem e merece ficar. O risco está em vestir um modelo inteiro sem questionar o que ele custava, tanto para quem o seguia quanto para quem convivia com ele.
Repensar as próprias referências de masculinidade é um processo, não uma decisão única, e pode ser bastante confuso fazer isso sozinho. A terapia é um espaço possível para essa reflexão, ajudando a identificar o que vale a pena manter, o que pode ser deixado para trás e como construir uma forma de ser homem que faça sentido na vida de cada um, hoje.
Quem sou eu?

Viviane dos Santos Cavalari
CRP:

06/224932
Atendimento:
Online
Sou psicóloga de orientação analítica (junguiana) e dedico minha escuta a acompanhar pessoas em suas jornadas de redescoberta, transformação e reencontro consigo mesmas.
Entendo a terapia não como um lugar de julgamentos ou de fórmulas prontas, mas como um espaço seguro de travessia. Na perspectiva junguiana, não olhamos para a sua dor, ansiedade, crises ou angústias apenas como sintomas a serem eliminados a qualquer custo — mas como convites do seu inconsciente para olhar para aquilo que precisa de atenção, cuidado e integração.
Valor da Sessão / Tempo de duração
R$ 60,00
/
60 minutos
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