
Você já percebeu que eterminado comportamento não te faz bem, entendeu de onde ele vem e até sabe o que deveria fazer diferente, mas quando a situação acontece novamente, acaba reagindo exatamente da mesma maneira?
Talves você procrastine mesmo sabendo das consequências. Talvez tenha dificuldade de dizer não, mesmo percebendo o quanto isso te sobrecarrega. Ou continue repetindo escolhas e relações que racionalmente já entendeu que não são boas para você.
E então surge uma pergunta bastante frustrante:
Se eu já compreendi tudo isso, porque ainda não consigo mudar?
A resposta começa por uma diferença importante: compreender um comportamento e conseguir modificá-lo são processos diferentes.
Entender é importante, mas é apenas o começo.
Na psicoterapia, tomar consciência dos nossos padrões é fundamental. Começamos a perceber pensamentos, emoções, situações que funcionam como gatilhos e as consequências das nossas escolhas.
Mas consciência, sozinha, não transforma automaticamente um comportamento.
Imagine que você passou anos reagindo de determinada maneira quando se sente rejeitado, ansioso, frustrado ou inseguro. Mesmo depois de compreender esse padrão, existe uma história de experiências e aprendizagem por trás daquela forma de agir.
Por isso, saber o que seria diferente não significa necessariamente conseguir fazer diferente imediatamente.
Nosso cérebro aprende caminhos.
Nosso cérebro está constantemente aprendendo com aquilo que vemos.
Quando determinadas respostas são repetidas muitas vezes, elas podem se tornar mais familiares e automáticas. É como percorrer frequentemente o mesmo caminho: quando mais conhecido ele fica, menos precisamos pensar para segui-lo.
Isso ajuda a compreender por que, em algumas situações, voltamos a comportamentos antigos mesmo quando já sabemos que gostaríamos de agir de outra maneira.
O familiar nem sempre é aquilo que nos faz bem.
Às vezes, é simplesmente aquilo que aprendemos a fazer.
E é aqui que entra a neuroplasticidade.
Neuroplasticidade é a capacidade que o cérebro possui de se modificar e reorganizar em resposta às experiências e aprendizagens.
Isso significa que nosso cérebro não é uma estrutura complementar rígida. Ao longo da vida, novas experiências podem favorecer novos aprendizagens e mudanças nas conexões e no funcionamento das redes neurais.
Em termos simples:
o cérebro que aprendeu determinados padrões também possui capacidade para aprender novas formas de responder.
Mas existe uma parte importante dessa história: aprender algo novo geralmente requer experiência e repetição.
Por isso mudar pode ser desconfortável
Imagine algém que passou muitos anos evitando conflitos e dizendo "sim"para não desagradar.
Essa pessoa começa a perceber que precisa estabelecer limites.
Ela compreende racionalmente que dizer "não" é saudável. Porém, na primeira vez em que estabelece um limite, talvez não sinta alívio.
Pode sentir culpa.
Ansiedade.
Medo de decepcionar.
E pode pensar: "Talvez eu esteja fazendo algo errado."
Mas o desconforto não significa necessariamente que a nova escolha esteja errada. Em algumas situações, ele aparece justamente porque a pessoa está fazendo diferente daquilo que aprendeu e repetiu durante muito tempo.
Mudança também é prática.
É nesse ponto que a compreensão psicológica e a neuroplasticidade se encontram.
Não precisamos esperar que o desconforto desapareça completamente para começar a agir de maneira diferente.
Colocar um limite.
Iniciar uma tarefa mesmo sem sentir motivação.
Questionar um pensamento automático.
Pedir ajuda.
Responder de outra maneira.
Fazer hoje uma pequena escolha diferente daquela que normalmente faríamos.
Cada experiência oferece ao cérebro novas informações. Com tempo, contexto e repetição, novas respostas podem se tornar mais acessíveis.
Isso não significa que exista uma fórmula rápida para mudar nem que todos os padrões dependem apenas de "força de vontade". Nossa história, ambiente, emoções, condições de saúde e muitos outros fatores também participam desse processo.
Significa apenas que aquilo que hoje parece automático não precisa necessariamente permanecer assim para sempre.
Talvez você precise mudar tudo de uma vez.
Quando pensamos em mudanças, frequentemente imaginamos uma transformação enorme: "preciso deixar de ser assim", "preciso parar completamente", "preciso conseguir controlar isso".
Talvez seja mais útil fazer uma pergunta menor:
"Qual comportamento diferente eu posso começar a praticar?"
Porque compreender abre uma porta.
Mas são as novas experiências, repetidas ao longo do caminho, que podem nos ajudar a construir outras possibilidades.
Mudar não é apagar a nossa história. É aprender que ela não precisa determinar todas as nossas próximas escolhas.
Quem sou eu?

Taciana Dantas Nunes Gomes
CRP:

13/11698
Atendimento:
Online
Sou psicóloga, pós-graduada em Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e atualmente pós-graduanda em Reabilitação Cognitiva. Minha prática clínica é fundamentada na Análise do Comportamento e também utiliza princípios da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), sempre considerando as necessidades e particularidades de cada pessoa.
Atualmente, meus atendimentos psicológicos são realizados de forma online, com foco especialmente em mulheres adultas que estão em processo de investigação diagnóstica para o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou que já possuem o diagnóstico.
O acompanhamento busca proporcionar um espaço de escuta, compreensão e desenvolvimento de estratégias que façam sentido para a realidade de cada mulher. Podem ser trabalhadas questões relacionadas à compreensão do próprio funcionamento, regulação emocional, flexibilidade, habilidades sociais, relacionamentos, organização da rotina, autonomia e manejo das demandas do cotidiano.
Para mulheres que estão buscando compreender possíveis características relacionadas ao autismo, o acompanhamento também pode auxiliar na organização dessas experiências e na identificação da necessidade de uma avaliação diagnóstica especializada, quando indicada.
Além da psicoterapia, possuo ampla experiência no atendimento ao público infantil, especialmente no acompanhamento de crianças com demandas relacionadas ao desenvolvimento e ao neurodesenvolvimento. A partir dessa experiência, também ofereço orientação parental, auxiliando mães, pais e responsáveis na compreensão dos comportamentos da criança e na construção de estratégias mais funcionais para as dificuldades vivenciadas no cotidiano familiar.
Também estou disponível para supervisão e discussão de casos clínicos, contribuindo com profissionais que buscam apoio na análise de casos, definição de objetivos terapêuticos, planejamento de intervenções e acompanhamento da evolução clínica.
Meu trabalho busca unir ciência, ética, individualização e acolhimento, oferecendo intervenções baseadas em evidências e respeitando a história, as necessidades e os objetivos de cada pessoa e família acompanhada.
Valor da Sessão / Tempo de duração
R$ 80,00
/
50 minutos
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