
Demonstrar sentimentos virou sinônimo de ser “emocionado”? Ou, de uma forma mais delicada, de ser “exagerado”?
Vivemos em uma cultura em que, muitas vezes, demonstrar interesse parece ser mais malvisto do que fingir indiferença. Quem responde rápido “se importa demais”. Quem demonstra saudade “está emocionado”. Quem fala sobre o que sente “está se entregando demais”.
E, aos poucos, vamos aprendendo que esconder o que sentimos pode ser mais interessante do que simplesmente sentir e falar sobre isso.
Mas existe uma diferença importante entre demonstrar sentimentos e agir movido pelo medo de perder o outro.
Na Teoria do Apego, desenvolvida por John Bowlby e posteriormente ampliada por outros pesquisadores, falamos sobre o apego ansioso, que pode aparecer quando existe uma preocupação intensa com a possibilidade de rejeição, abandono ou afastamento.
A pessoa pode sentir uma necessidade maior de confirmação do afeto do outro, ficar muito atenta a mudanças de comportamento, interpretar pequenos sinais como indícios de desinteresse e ter dificuldade para lidar com a incerteza dentro de uma relação.
E aqui existe um ponto importante: ter um apego ansioso não significa ser “carente”, “dramático” ou “emocionado”.Significa que determinadas experiências e padrões de relacionamento podem fazer com que a pessoa vivencie a proximidade e a possibilidade de afastamento de uma maneira mais intensa.
E isso também não significa que exista um tipo de apego “melhor” ou que você precise se transformar em alguém frio e indiferente para ter relacionamentos saudáveis.
O objetivo não é deixar de sentir.
É aprender o que fazer com aquilo que você sente.
A terapia pode ajudar justamente nesse processo: compreender de onde vêm determinados medos e padrões, perceber quando uma reação está sendo guiada pelo medo de abandono, desenvolver estratégias para lidar melhor com a ansiedade e construir formas mais seguras de se comunicar e se relacionar.
Não existe um manual para relacionamentos. Não existe um jeito único e “certo” de amar.
Existe aquilo que é coerente com você, com os seus sentimentos e, principalmente, com a forma como você escolhe cuidar de si e do outro.
Demonstrar sentimentos não deveria ser algo punível. Ser quem você é não deveria significar viver se policiando para parecer menos interessado, menos apaixonado ou menos vulnerável.
Em poucas palavras: você pode, sim, falar sobre o que sente.
Só não precisa transformar o sentimento em uma expectativa de que o outro obrigatoriamente sinta, responda ou corresponda da mesma maneira.
E aprender essa diferença pode ser um dos caminhos para construir relações mais tranquilas e seguras
Quem sou eu?

Sofia Moretti de Oliveira Campos
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04/79489
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Meu nome é Sofia, sou formada pela Universidade Federal de Uberlândia e atendo pelo referencial da Psicanálise. Minhas áreas principais de estudo são a violência contra mulheres, crianças e população LGBT+.
Por meio dos meus atendimentos, realizo uma escuta centrada em acolhimento, mas que também auxilie o sujeito a encontrar autonomia sobre suas próprias palavras.
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