
Muita gente não suporta silêncio. Liga a TV só pra ter som de fundo, coloca música até pra lavar a louça, enche a agenda de compromissos sem necessidade. Parece gosto por movimento, mas muitas vezes é fuga. Fuga de encarar o vazio.
O vazio incomoda porque nele aparecem coisas que a correria esconde. Uma lembrança, uma pergunta sem resposta, uma sensação de falta que não tem nome. O silêncio cutuca feridas que a barulheira ajuda a enterrar.
Exemplo prático: alguém que não consegue dormir sem rolar o feed por horas. Não é só vício em celular. É medo do instante em que a cabeça vai repousar no travesseiro e pensamentos vão aparecer. Ou aquela pessoa que nunca fica sozinha em casa, sempre inventa um rolê, porque o silêncio da sala parece ecoar demais.
O vazio não é inimigo. Ele é espaço. Espaço pra sentir, descansar, perceber o que de fato importa. Mas a gente aprendeu a tratá-lo como ameaça, como se parar fosse sinônimo de estar atrasado em relação ao resto do mundo.
O paradoxo é que quanto mais a gente foge, mais cansado fica. Porque preencher cada brecha não elimina o que dói, só posterga. É como tampar uma rachadura com fita adesiva: de longe parece resolvido, mas a pressão continua lá.
O medo do vazio é, no fundo, o medo de se encontrar. Mas é nesse encontro que mora a chance de respirar diferente.





