
Percebo que vivemos querendo cortar nossas arestas. O que eu quero dizer com isso é parece que tentamos a todo modo excluir nossos defeitos, moldar as partes feias da nossa personalidade, e soterrar o que incomoda.
Até certo ponto, faz sentido… Afinal, quem é que se orgulha dos seus defeitos? Pela própria categoria, quando reconhecemos em nós algo que desprezamos, é natural querer se desfazer disso o mais rápido possível.
Mas encontramos alguns problemas nesse caminho de descarte.
Para onde vão os meus defeitos renegados?
Não é como uma roupa velha que jogamos fora. Não existe lixão ou ferro velho que recolha nossos rejeitos psíquicos.
Quando alguém é bem sucedido nessa empreitada de renegar partes de si, mesmo as partes mais pavorosas e sombrias da nossa alma, essa parte continua dentro. Contínua nossa. Posso negá-la, mas não posso me desfazer por completo disso.
E os efeitos de um completo e total descarte não implicam em uma vida mais plena, mais calma, mais bela… Pelo contrário, tendem a apontar para uma compensação no nosso psiquismo, ainda mais brutal e forte do que anteriormente.
Muitas vezes, é daí que nascem alguns dos sintomas que podem atormentar as nossas vidas.
Portanto, não busque demolir seus defeitos ou suas falhas e o seu lado obscuro. Busque acolher eles, tente ouvir o que eles tem à dizer sobre você, sobre sua forma de estar no mundo. Iluminar.
Reconhecer é o primeiro passo para permitir que você os transforme.





