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Confiar não é simples

E nem sempre tem a ver com o outro

22 de abr. de 2026

Gustavo Gonçalves Oliveira

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Autoconhecimento

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Confiar parece algo natural, mas para muita gente é um processo tenso. Não porque faltam pessoas confiáveis, mas porque confiar envolve se expor. É abrir espaço para o outro impactar você, e isso nem sempre é confortável.

 

Quando alguém já passou por decepções, rejeições ou vínculos instáveis, o corpo aprende a se proteger. Surge uma atenção constante, uma necessidade de ter certeza antes de se entregar. A pessoa observa mais, testa mais, demora mais. Não é frieza. É uma forma de evitar reviver algo que já doeu.

 

O problema é que a desconfiança também tem um custo. Relações ficam superficiais, o envolvimento demora a acontecer e, mesmo quando acontece, vem acompanhado de dúvida. Pequenos sinais ganham um peso maior do que deveriam. Um atraso, uma mudança de tom, um silêncio diferente. A mente tenta antecipar problemas que ainda nem existem.

 

Em alguns casos, a dificuldade de confiar não está só no outro, mas na própria experiência interna. Falta de segurança em si mesmo, medo de não saber lidar caso algo dê errado. Então, em vez de arriscar, a pessoa mantém um certo controle, como se isso pudesse evitar qualquer frustração.

 

Confiar não é se jogar sem critério. Também não é esperar garantias absolutas, porque elas não existem. É um processo gradual, que envolve perceber quem está do outro lado, mas também construir uma base interna que permita lidar com o que vier.

 

No fim, confiar não elimina o risco.
Mas torna possível viver relações que não sejam guiadas apenas pelo medo.

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