
Tem gente que aprendeu cedo a carregar.
Carregar expectativas.
Carregar responsabilidades que não eram suas.
Carregar silêncios, culpas, histórias mal resolvidas, versões distorcidas de si mesmo.
E, sem perceber, começou a confundir o peso com a própria identidade.
Como se aquilo que dói… fosse aquilo que é.
Como se as marcas definissem o valor.
Como se o cansaço fosse prova de quem você precisa ser.
Mas não é.
O que você carrega fala sobre a sua história, não sobre o seu valor.
Na prática clínica, isso aparece de formas sutis: pessoas que se sentem “demais” ou “de menos”, que se medem pelo quanto suportam, pelo quanto aguentam, pelo quanto se anulam.
Como se existir só fosse legítimo quando vem acompanhado de esforço extremo.
Só que viver não deveria ser uma prova constante de resistência.
Existe uma diferença importante entre reconhecer o que você carrega… e se reduzir a isso.
Sim, você tem uma história.
Sim, existem marcas.
Sim, há coisas que ainda pesam.
Mas nada disso esgota quem você é.
Você não é só o que doeu.
Você não é só o que faltou.
Você não é só o que precisou aprender a suportar.
Talvez o primeiro passo não seja “largar tudo”.
Mas começar a questionar: por que eu ainda estou carregando isso como se fosse parte de mim?
Porque, às vezes, o que mais pesa não é a bagagem em si. É a ideia de que você precisa continuar segurando.
E não, você não precisa.
@gabimercado.psi




