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O que é mindfulness? Uma leitura a partir da análise do comportamento

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28 de mai. de 2026

Luisa Homsi Jorge Ferreira

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Saúde mental

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Mindfulness virou uma palavra comum. Aparece em aplicativos, em vídeos rápidos, em conselhos bem-intencionados de "respira fundo que passa" e, com essa popularização, muita coisa imprecisa passou a circular sobre o que a prática é, para que serve e o que ela não faz. Este texto propõe uma leitura da atenção plena a partir da análise do comportamento e das terapias contextuais, sobretudo da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), articulando o que mindfulness oferece, em que situações pode ser útil, como praticá-la e, talvez o mais importante, quais são os limites de seu uso isolado.

O que é mindfulness

Mindfulness, ou atenção plena, pode ser entendido como um conjunto de comportamentos: observar, descrever e participar do que acontece no aqui e agora, com abertura e sem julgamento. É uma prática utilizada por várias abordagens da psicologia contemporânea, com formulações específicas em cada uma delas. Da perspectiva analítico-comportamental, não se trata de "esvaziar a mente", e sim de entrar em contato com aquilo que está acontecendo (o que se vê, ouve e faz, mas também os pensamentos, as sensações e as emoções) tal como ocorrem, sem precisar lutar contra eles.

O foco principal da prática não é mudar o conteúdo dos pensamentos, mas a relação que se estabelece com eles. Trata-se de notá-los, dar espaço para que apareçam e seguir agindo no que importa, mesmo quando surgem pensamentos ou sensações difíceis. Essa diferença é sutil, mas tem implicações práticas relevantes: quem pratica não está tentando se livrar do desconforto, e sim aprendendo a continuar em movimento em direção ao que valoriza, ainda que o desconforto esteja presente.

Em quais situações a prática pode ser útil

A atenção plena pode ser um recurso valioso em diferentes contextos cotidianos e clínicos. Em situações de emoções intensas, por exemplo, ela pode oferecer um espaço entre o que se sente e o que se faz, reduzindo a probabilidade de reações impulsivas das quais a pessoa depois se arrepende. Em episódios de ruminação ou preocupação repetitiva, ajuda a sair do circuito mental e a retornar ao momento presente. Para quem deseja identificar gatilhos e responder com mais flexibilidade, oferece uma observação mais cuidadosa do que antecede determinados comportamentos.

Em momentos de ansiedade, mindfulness pode funcionar como um recurso de manejo, ajudando a atravessar o desconforto sem precisar fugir dele. Também tem valor nas atividades cotidianas realizadas "no automático": comer, dirigir, escovar os dentes, em que se perde contato com a própria vida. E, nas interações interpessoais, amplia a percepção do que o outro comunica e do que se está sentindo durante a conversa, o que tende a favorecer respostas mais conectadas e menos reativas.

Algumas práticas

Há diversas formas de exercitar a atenção plena, e uma das mais conhecidas é a atenção à respiração, que consiste em observar a sensação do ar entrando e saindo, retornando suavemente a esse foco sempre que a atenção se dispersar. Outra prática frequente é o escaneamento corporal, em que se dirige a atenção, de forma sequencial, a diferentes regiões do corpo, notando o que aparece, calor, tensão, formigamento, nada, sem tentar mudar a sensação encontrada.

A observação de pensamentos é uma terceira prática, especialmente trabalhada na ACT: trata-se de notar pensamentos como eventos que surgem e passam, sem se enredar neles. Por fim, há as atividades cotidianas com presença: comer, caminhar, tomar banho ou escovar os dentes prestando atenção às sensações e ao que se está fazendo, em vez de funcionar no piloto automático. Essas práticas podem ser realizadas em poucos minutos ao dia e tendem a se desenvolver gradualmente com a repetição.

Uma ferramenta para momentos difíceis — e seus limites

Em momentos de ansiedade ou crise, mindfulness pode ajudar a atravessar o desconforto sem reagir de forma automática ou impulsiva. É um recurso útil para lidar com o que está acontecendo agora, e essa é uma de suas contribuições mais visíveis no cotidiano de quem pratica.

Ainda assim, manejar o momento difícil é apenas parte do trabalho. Tão importante quanto isso é investigar, depois, o que está por trás daquele sofrimento. Por que essa ansiedade aparece? Em quais contextos ela se intensifica? O que costuma vir antes? O que ela tem produzido na vida da pessoa? Que história de aprendizagem sustenta essa resposta? Essas perguntas, características da análise funcional do comportamento, orientam um trabalho mais profundo do que o alívio imediato do desconforto.

Quando mindfulness é usado apenas para "fazer o desconforto sumir", corre o risco de virar mais uma forma de fugir daquilo que incomoda, e, muitas vezes, é justamente essa fuga que mantém o sofrimento ao longo do tempo. A prática ganha potência quando articulada à compreensão do que produz e mantém aquele padrão emocional, e é nesse ponto que o trabalho psicoterapêutico se diferencia da prática isolada da atenção plena.

Considerações finais

Mindfulness é uma prática; o cuidado psicológico é um processo. As duas coisas conversam, mas não se substituem. A atenção plena oferece um modo de habitar o presente e atravessar momentos difíceis com menos reatividade; o acompanhamento psicológico oferece o espaço para compreender o que sustenta o sofrimento e construir uma vida mais alinhada com o que se valoriza.

Se você tem atravessado momentos difíceis ou buscado entender melhor o que está por trás do que sente, o acompanhamento psicológico pode te ajudar. Atendo online, adultos e pessoas idosas, a partir das bases da análise do comportamento e das terapias contextuais. Para agendar uma sessão ou tirar dúvidas, fique à vontade para entrar em contato.

Luísa Homsi Jorge Ferreira

Psicóloga — CRP 06/233094

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