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O que Aftersun e Valor Sentimental revelam sobre desidealização paterna

21 de ago. de 2026

Paula La Croix Maluf de Menezes

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Saúde mental

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Assistindo a esses dois filmes, ficou evidente como eles retratam essa virada marcante que acontece na vida adulta: o instante em que a figura que criamos sobre os nossos pais precisa se transformar.

 

Quando somos crianças, a tendência é olhar para os pais apenas pelo lugar que eles ocupam no nosso dia a dia. A mente infantil tenta construir certezas, seja criando expectativas sobre quem nos protege ou fantasiando sobre quem se fez ausente. Só com o tempo é que a gente nota que, antes de assumirem esse papel, eles já eram indivíduos comuns, com um histórico de dores e escolhas que começou muito antes da nossa chegada.

 

É a diferença entre o olhar da infância, que enxerga o pai apenas como pai, e o olhar maduro, que consegue ver o ser humano por trás dessa função..

 

Essa travessia fica nítida nas duas histórias. Em Aftersun, a filha precisa resgatar lembranças antigas para notar as fragilidades que o pai escondia na época. Em Valor Sentimental, a narrativa mostra a busca por limites diante de um pai distante, que só consegue buscar aproximação por meio da arte. Ambas mostram a tentativa de encarar esses homens além da relação parental.

 

Reconhecer esse cenário não serve para dar desculpas para as falhas passadas. A chave está em parar de exigir uma perfeição que não existe. Ficar preso a essa cobrança nos mantém atados ao que não foi entregue no passado. Ao abrir mão dessa expectativa, o desgaste diminui, a realidade é aceita e o caminho fica livre para a construção da própria autonomia.

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