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O que aprendemos sobre o amor na infância — e como isso aparece na vida adulta

O amor não é algo que simplesmente sentimos. Ele é algo que aprendemos.

10 de mar. de 2026

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Psicoterapia

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Ao longo da minha formação em Psicologia, me interessei por compreender como as experiências da infância influenciam a forma como nos relacionamos na vida adulta. Esse interesse resultou no meu trabalho de conclusão de curso, no qual investiguei, a partir da psicanálise e do pensamento social, como o amor é aprendido nas primeiras relações da vida — e como suas falhas podem marcar profundamente a maneira como nos vinculamos aos outros.

 

A psicanálise, especialmente a partir de Winnicott, nos mostra que o desenvolvimento emocional do bebê depende de um ambiente que ofereça cuidado, segurança e continuidade. Quando esse cuidado é suficientemente bom, a criança pode desenvolver confiança no mundo, construir sua identidade e, mais tarde, estabelecer relações mais autênticas. Quando há falhas importantes nesse cuidado, podem surgir sentimentos de insegurança, medo de abandono e dificuldades em confiar.

 

Ao mesmo tempo, autores como bell hooks nos ajudam a pensar que o amor não é apenas um sentimento individual, mas também algo que aprendemos socialmente. Segundo ela, amar envolve cuidado, respeito, responsabilidade, compromisso e honestidade — e quando crescemos em ambientes onde essas experiências são confusas, ausentes ou contraditórias, podemos ter dificuldade de reconhecer o amor ou de nos sentirmos dignos dele.

 

Muitas vezes, na vida adulta, repetimos formas de nos relacionar que foram aprendidas muito cedo. Podemos nos aproximar de pessoas que nos fazem sentir inseguros, ter medo de intimidade, ou sentir que estamos sempre buscando algo que nunca parece suficiente. Isso não acontece por fraqueza, mas porque nossas primeiras experiências emocionais deixam marcas profundas na forma como entendemos o vínculo, o cuidado e o pertencimento.

 

Na clínica, olhar para a história de cada pessoa permite compreender que dificuldades nos relacionamentos não surgem do nada. Elas têm raízes, têm sentido, e podem ser elaboradas. A psicoterapia é um espaço onde é possível revisitar essas experiências, dar novos significados a elas e construir formas mais livres de se relacionar consigo mesmo e com o outro.

Falar sobre amor, na psicologia, é falar sobre cuidado, sobre história e sobre possibilidade de transformação. Porque, mesmo quando o amor falhou no início da vida, ainda é possível aprender novas maneiras de se vincular, de confiar e de existir em relação.

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