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O que não enxergamos pelo espelho do outro

26 de abr. de 2026

Gabriela Correa Mercado

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Autoconhecimento

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Tem um tipo de busca que parece conexão, mas, na verdade, é tentativa de existir.

A gente olha para o outro esperando se encontrar. Busca validação, reconhecimento, confirmação.
Como se fosse possível descobrir quem somos a partir do reflexo que alguém nos devolve.

 

E, por um tempo, isso pode até funcionar. Mas logo vem o vazio de novo. Isso porque o espelho do outro é instável.
Ele muda conforme o humor, a história, as expectativas, as feridas de quem olha.

E quando a gente depende exclusivamente desse reflexo, a própria identidade começa a oscilar junto.

 

Na clínica, isso aparece como uma pergunta silenciosa: “Quem eu sou… quando ninguém está me olhando?”

É desconfortável perceber o quanto da nossa autoimagem foi construída de fora para dentro.
O quanto aprendemos a nos ver pelos olhos de quem nos aprovava ou nos rejeitava.

Mas existe algo importante aqui: o outro pode até revelar partes de você. Mas não pode sustentar quem você é.

 

Há dimensões suas que não cabem na percepção de ninguém. Aspectos que não serão compreendidos, nomeados ou sequer notados. E isso não diminui a sua existência. Só a torna mais real.

Se ver além do olhar do outro não é se isolar. É se responsabilizar pela própria percepção.

É construir, aos poucos, um olhar interno que não dependa exclusivamente de aplauso, comparação ou validação.

Porque tem coisas sobre você que só você pode enxergar.

Talvez esse seja um dos movimentos mais difíceis, e mais honestos, da vida psíquica.

 

@gabimercado.psi

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