
Você já sentiu um vazio, como se estivesse exilado de si mesmo ou vivendo em um deserto, onde não tem direção, apoio e nem esperança?
Na obra "Ego e Arquétipo", Edinger nos mostra que esse estado de alienação do Ego é uma etapa necessária para o amadurecimento humano.
Nós nascemos em um estado de totalidade inconsciente, onde o ego está completamente identificado com o Self. É a chamada inflação, onde nos sentimos onipotentes. No entanto, o confronto inevitável com a realidade rompe essa ilusão. Essa quebra é indispensável para o nascimento da consciência individual.
O sofrimento surge quando o eixo Ego-Self é danificado. Sem essa ligação, a vida perde o brilho, a depressão se aproxima e experimentamos a sensação de abandono total.
Para se defender, o Ego entra em curto-circuito estéril: oscilamos entre a inflação defensiva (orgulho, arrogância) e a alienação total (baixa autoestima, desespero).
A alienação não é um erro, mas sim o que precede a Individuação. É apenas quando o ego reconhece suas limitações e abre mão da ilusão de controle que a psique profunda pode oferecer sustentação.
Se você está atravessando o deserto do vazio, lembre-se: a queda é dolorosa, mas é ela que quebra as falsas estruturas para que o seu ser real possa, finalmente, emergir.





