
As vezes a gente passa a vida tentando caber em uma caixinha.
Uma caixinha que diz como deve sentir, agir, amar, trabalhar, falar... Uma caixinha onde parece que tudo precisa estar organizado e fazer sentido o tempo todo.
Mas talvez a gente não precise de uma caixinha performática.
Talvez a gente precise de uma caixinha de retalhos.
Um lugar onde caibam as partes que ainda doem, as que já cicatrizaram, as memórias bonitas, as confusas, os sonhos, as perdas, os recomeços e até aquilo que ainda não tem nome.
Retalhos não são defeitos. São pedaços da nossa história.
E, aos poucos, quando olhamos para eles com cuidado, percebemos que não precisamos costurá-los para parecer outra pessoa. Podemos aprender a reconhecê-los como parte de quem somos.
Na terapia, muitas vezes, o trabalho não é construir uma versão perfeita de si. É encontrar um jeito de acolher os próprios retalhos.





