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Poema sobre a ansiedade

27 de abr. de 2026

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Saúde mental

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Ansiedade de produtividade

Eu me cobro demais
Acho que todo mundo se esfoça mais que eu
E que vou acabar ficando para trás
Porque não trabalho tão rápido
Nem com tanta disposição
E que tudo é em vão

Eu não tomo café da manhã com calma
Eu vou comendo no caminho
Eu ligo para a minha mãe quando dá tempo
- se não
Qualquer conversa me atrasa

Deixo para depois todas as coisas que não me ajudem a realizar meus sonhos
Como se o que deixo para depois
Não fossem os próprios sonhos

Afinal o sonho é ou não é
Ter uma mãe com quem conversar
E uma mesa para o café da manhã

Eu me perco numa paranoia
De otimizar todas as horas do dia
Parar ser uma pessoa mais preparada
Para dar um jeito de ganhar dinheiro
Para de alguma forma subir na carreira
Porque esse é o preço
Do sucesso
Não é mesmo

Eu desenterro minha vida
Ponho numa embalagem
Vendo para o mundo
E quando pedem mais
Eu me vejo revirando ossos
Para tentar escrever poesia

O capitalismo me invadiu a cabeça
E me fez pensar que meu único valor
É o que consigo produzir
Para o público consumir
O capitalismo me invadiu a cabeça
E me fez pensar
Que eu só valho
Se tiver trabalho
Foi assim que aprendi a ficar impaciente
Foi assim que aprendi a duvidar de mim
Aprendi a plantar sementes
E esperar flores no dia seguinte

Mas o que é mágico
Não funciona assim
A magia não acontece
Porque aprendi a
Fazer o trabalho render mais
A magia é regida
Pelas leis da natureza
A natureza tem outro tempo
A magia acontece
Quando nós brincamos
Quando nós fugimos
E sonhamos acordados
É aí que todas as coisas
Que têm o poder de nos preencher
Estão de joelhos à nossa espera

Rupi Kaur - livro Meu Corpo minha Casa

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