
Falar sobre relacionamentos abusivos é falar sobre dor, medo, vergonha e, muitas vezes, confusão. É comum ouvir histórias de pessoas que reconhecem estar vivendo uma relação marcada por violência — seja física, psicológica ou emocional —, mas que ainda assim permanecem nela. À primeira vista, pode parecer incompreensível: por que alguém não simplesmente vai embora? A Psicanálise propõe um olhar mais profundo sobre essa questão, ajudando a compreender que, por trás da repetição desses vínculos, existe algo do inconsciente em jogo.
Quando se fala em “abuso”, pensa-se em excesso — excesso de controle, de ciúme, de poder ou de dor. Mas há também o “ab-uso”, termo que, na Psicanálise, pode remeter a um uso que ultrapassa os limites conscientes, algo que se repete sem que a pessoa perceba o motivo. Essa repetição, segundo Freud, pode ser um modo inconsciente de reviver situações antigas, ligadas às primeiras experiências de amor, cuidado e satisfação. Ou seja, algo da nossa história emocional se atualiza nas relações adultas, mesmo quando nos faz sofrer.
Na prática clínica, é comum que pessoas cheguem em busca de ajuda dizendo que “sempre acabam” em relações parecidas — com parceiros controladores, violentos ou emocionalmente distantes. Essa repetição não é sinal de fraqueza ou de falta de amor-próprio, mas de uma dinâmica inconsciente que organiza o modo como cada um se relaciona com o outro. Freud dizia que aquilo que não conseguimos lembrar, repetimos. Repetimos não porque queremos, mas porque algo dentro de nós tenta, de forma inconsciente, resolver uma história que ficou mal elaborada.
O amor e o desejo estão sempre atravessados pela falta — falta que é parte da própria condição humana. Nenhum amor é totalmente completo, e é justamente essa falta que nos move em direção ao outro. No entanto, quando a relação se torna um campo de sofrimento constante, pode ser que o desejo se confunda uma forma de satisfação que, paradoxalmente, inclui o sofrimento. Em outras palavras, pode haver prazer até mesmo naquilo que dói, o que torna o rompimento ainda mais difícil.
Nessa perspectiva, o que chamamos de “vítima” também é alguém que está presa a uma lógica inconsciente de repetição. Isso não significa culpabilizar, mas entender que, para o inconsciente, a dor conhecida pode parecer mais segura do que o desconhecido. Sair de uma relação abusiva implica, muitas vezes, romper com velhos modos de amar e desejar — e isso exige tempo, acolhimento e elaboração. A psicoterapia é o espaço onde esse movimento pode começar a acontecer, não pela via do julgamento, mas pela via da escuta.
A sociedade oferece recursos jurídicos importantes, como a Lei Maria da Penha, que garante proteção e acolhimento às mulheres vítimas de violência. No entanto, mesmo com o amparo da lei, muitas pessoas continuam presas a vínculos destrutivos. Isso mostra que o problema vai além do campo legal: ele toca as estruturas do inconsciente, que moldam nossas escolhas afetivas e o modo como nos posicionamos diante do amor e da dor.
A Psicanálise nos convida a olhar para o que há de singular em cada história. Não se trata de oferecer respostas prontas, mas de permitir que o sujeito se escute, que compreenda o que o leva a permanecer em uma relação que o faz sofrer. É nesse processo que algo pode se transformar: quando a dor deixa de ser apenas repetição e passa a ser compreendida como parte de um caminho de autoconhecimento.
Em última instância, pensar os relacionamentos abusivos à luz da Psicologia é pensar sobre o amor humano em toda a sua complexidade. Amar é se arriscar no campo do desconhecido, é lidar com a falta e com a impossibilidade de controle. Mas também é, pouco a pouco, aprender a reconhecer os próprios limites e desejos, construindo relações menos marcadas pela dor e mais pelo respeito e pela liberdade.
Geovanna Moreira Bastos | Psicóloga e psicanalista - CRP 01/30116
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Larissa Fernanda de Oliveira
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Olá! Sou Larissa, psicóloga, e acredito que a terapia pode ser um espaço de acolhimento, escuta e construção de novos caminhos, onde você possa falar sobre o que sente sem julgamentos e no seu próprio ritmo.
Atendo adolescentes, adultos e idosos, respeitando a história, as necessidades e o momento de vida de cada pessoa. Meu trabalho é baseado na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), uma abordagem que busca compreender a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos e, a partir disso, desenvolver estratégias mais saudáveis para lidar com diferentes situações.
A terapia pode ser um espaço importante para quem está enfrentando ansiedade, baixa autoestima, inseguranças, dificuldades nos relacionamentos, mudanças importantes na vida, sobrecarga emocional, dificuldades para lidar com sentimentos, problemas de adaptação, momentos de crise ou simplesmente sente que precisa de um espaço para se compreender melhor.
Ao longo do processo, vamos olhar para aquilo que está acontecendo hoje, compreender padrões que podem estar contribuindo para o seu sofrimento e construir, juntos, ferramentas para que você consiga lidar melhor com suas emoções e situações do cotidiano.
Meu objetivo é que você encontre na terapia um espaço seguro para se conhecer, desenvolver novas perspectivas e construir uma relação mais saudável consigo mesmo e com a própria vida.
Se você sente que está passando por um momento difícil ou que gostaria de cuidar mais de si, talvez este seja um bom momento para começar. Será um prazer te acompanhar nessa caminhada.
Valor da Sessão / Tempo de duração
R$ 60,00
/
50 minutos
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