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Por que estamos tão cansados?

10 de mar. de 2026

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Psicologia

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No livro A Sociedade do Cansaço, o filósofo Byung-Chul Han propõe uma leitura potente do mal-estar contemporâneo. Segundo ele, deixamos de viver em uma sociedade da proibição (“você não pode”) para uma sociedade do desempenho (“você pode”). O problema é que esse desempenho pode se transformar em obrigação. Hoje, o sujeito é ao mesmo tempo explorador e explorado de si mesmo.

Em muitos casos já não há mais somente um chefe externo que oprime, mas sim uma cobrança que vem de dentro. Precisamos produzir, render, melhorar, performar, estar disponíveis, felizes, ativos e motivados o tempo todo. E o resultado disso é o esgotamento.

Não adoecemos por excesso de negatividade, mas por excesso de positividade. Burnout, depressão, ansiedade e sensação de insuficiência tornam-se marcas desse tempo. Nesse cenário, o descanso perde valor e parar vira fracasso. O tédio, o silêncio e a pausa que poderiam ser férteis, passam a ser vistos como desperdício.

Nesta obra, o autor nos convida a repensar o cansaço. Não como algo a ser eliminado rapidamente, mas como um sinal. Talvez, o corpo e a mente estejam dizendo que é impossível sustentar um ritmo que não respeita os limites do humano.

Cuidar da saúde mental hoje também é questionar a lógica do desempenho constante e recuperar o direito de parar, falhar, descansar e simplesmente existir.

É óbvio que não podemos descartar a existência de sujeitos que não tem o privilégio de descansar. Com jornadas longas de trabalho e trajetos exaustivos, a maior parte da população brasileira é imposta a este ritmo acelerado, em troca da sobrevivência. Porém, nem tudo está perdido. A luta pelo fim da escala 6x1 é um sinal positivo de que a sociedade está enfim, exigindo os seus direitos.

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