
Você já se pegou vivendo situações muito parecidas ao longo da vida? Relacionamentos que seguem o mesmo roteiro, escolhas que levam a resultados semelhantes, conflitos que insistem em retornar. Na psicanálise, esses movimentos não são vistos como simples coincidências ou falta de esforço para mudar, mas como efeitos de algo mais profundo: a repetição. Longe de significar apenas hábito ou rotina, a repetição aponta para aquilo que, de alguma forma, não encontrou ainda uma elaboração possível na história do sujeito.
Na experiência clínica, repetir não é apenas “fazer de novo”. Muitas vezes, o sujeito repete justamente aquilo que lhe causa sofrimento. Isso pode parecer paradoxal, mas a repetição não está necessariamente ligada ao prazer, ela está ligada à estrutura do funcionamento psíquico. Repetimos porque algo insiste. Algo retorna, mesmo quando não queremos, mesmo quando sabemos que nos fará sofrer. A repetição surge como uma tentativa de dar forma, sentido ou contorno a experiências que escapam à compreensão imediata.
A psicanálise lacaniana compreende que o inconsciente se organiza a partir da linguagem. Palavras, significantes, histórias familiares e marcas simbólicas atravessam o sujeito desde antes mesmo que ele possa escolher. É nesse campo que a repetição se instala. Certas palavras, certos modos de se posicionar no mundo, certos conflitos reaparecem no discurso, nos sintomas e nas relações. Não porque o sujeito queira, mas porque esses elementos ocupam um lugar central na sua história psíquica. A repetição, nesse sentido, não é exatamente a volta do mesmo. Ela retorna sempre com pequenas variações, revelando algo novo a cada vez, ainda que o cenário pareça familiar.
Na clínica psicanalítica, o trabalho não consiste em oferecer respostas prontas ou soluções rápidas. O analista escuta, acompanha e intervém para que o sujeito possa reconhecer o que se repete, como se repete e que lugar isso ocupa em sua história. A repetição, então, deixa de ser apenas um ciclo fechado e passa a ser um ponto de abertura, um espaço onde algo pode, finalmente, ser dito de outro modo.
Talvez repetir seja uma das maneiras mais humanas de tentar resolver o que ainda não encontrou palavra. Ao invés de enxergar a repetição como fracasso, a psicanálise nos convida a vê-la como mensagem, como insistência de algo que pede escuta. Aquilo que retorna não vem para punir, mas para dizer: ainda há algo aqui que precisa ser olhado.
Referência: https://pepsic.bvsalud.org/pdf/per/v23n3/v23n3a03.pdf
Quem sou eu?

Larissa Sardi Fagiolo Montanher
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Olá! Me chamo Larissa, sou psicóloga clínica, graduada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) desde 2017. Minha atuação é fundamentada na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), abordagem que busca compreender a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos, promovendo o autoconhecimento e o desenvolvimento de estratégias para lidar com os desafios da vida.
Realizo atendimentos psicológicos a crianças e adultos, nas modalidades presencial e on-line, oferecendo um espaço de escuta, acolhimento e cuidado, respeitando a individualidade e as necessidades de cada pessoa.
Acredito que cada pessoa carrega consigo uma história única, com sentimentos, experiências e desafios que merecem ser acolhidos com carinho e respeito. Por isso, meu objetivo é oferecer um espaço seguro, leve e livre de julgamentos, onde você possa se sentir à vontade para falar sobre o que sente e vivencia.
Na psicoterapia, caminhamos juntos em um processo de autoconhecimento, compreensão das emoções e desenvolvimento de recursos para lidar com as dificuldades do dia a dia. Cada etapa é conduzida com escuta sensível, empatia e respeito ao tempo e à individualidade de cada pessoa.
Você não precisa ter todas as respostas para começar. A terapia pode ser um espaço para se conhecer melhor, fortalecer-se emocionalmente e construir novas possibilidades para sua vida.
Valor da Sessão / Tempo de duração
R$ 40,00
/
40 minutos
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