
Por que você procrastina até aquilo que é importante para você?
Quando começar parece difícil, até aquilo que você deseja pode acabar sendo adiado.
26 de set. de 2026
Isabelle Catarina Alves da Silva
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Você já percebeu que, às vezes, adia justamente aquilo que sabe que é importante para você? Pode ser começar um curso, estudar para uma prova, iniciar um projeto, cuidar da saúde, organizar a vida financeira ou tomar uma decisão que vem sendo adiada há algum tempo. Você sabe que precisa fazer, reconhece a importância daquela tarefa, mas ainda assim pensa: “Depois eu faço”.
Quando esse “depois” chega, pode surgir outro. A tarefa permanece pendente e, com o passar do tempo, podem aparecer culpa, ansiedade e frustração. Esse comportamento é conhecido como procrastinação e faz parte da rotina de muitas pessoas.
Na Psicologia, a procrastinação é compreendida como o adiamento voluntário de uma atividade, mesmo quando a pessoa sabe que isso poderá trazer consequências negativas. Por isso, reduzi-la simplesmente à preguiça ou à falta de disciplina pode impedir que se compreenda o que realmente está mantendo esse comportamento.
Em muitos casos, a procrastinação está relacionada à maneira como a pessoa lida com o desconforto. Algumas atividades despertam ansiedade, insegurança, tédio, medo de errar ou sensação de incapacidade. Quando pensamos nelas, essas emoções podem gerar uma tendência de buscar algo que proporcione uma sensação mais agradável ou menos exigente naquele momento.
Imagine alguém que precisa estudar para uma prova. Ao abrir o material, percebe que existe muito conteúdo acumulado e pensa: “Não vou conseguir aprender tudo”. A ansiedade aumenta e, em vez de continuar, a pessoa pega o celular. Durante aquele período, sente-se temporariamente melhor porque deixou de entrar em contato com a situação que estava provocando desconforto.
Esse alívio imediato pode contribuir para a manutenção da procrastinação. O problema é que a tarefa não desaparece. O prazo se aproxima, o conteúdo se acumula e a preocupação pode aumentar. Assim, aquilo que inicialmente provocava um desconforto moderado pode passar a ser percebido como uma situação ainda mais difícil.
Esse processo ajuda a explicar por que uma pessoa pode continuar procrastinando mesmo sabendo que o comportamento está prejudicando sua rotina. Ela não está necessariamente escolhendo conscientemente as consequências negativas. Está respondendo a uma necessidade imediata de diminuir o desconforto, enquanto o prejuízo aparece posteriormente.
Também existe uma diferença importante entre não querer fazer algo e querer fazer, mas ter dificuldade para lidar com o processo necessário para alcançar aquilo que deseja. Uma pessoa pode querer muito uma promoção e, ainda assim, adiar um curso profissional. Pode desejar melhorar a saúde, mas evitar iniciar uma atividade física. Pode ter vontade de desenvolver um projeto próprio e não conseguir dar o primeiro passo.
Isso acontece porque o resultado desejado pode ser positivo, enquanto o caminho até ele envolve esforço, incerteza ou possibilidade de frustração. O cérebro tende a responder ao que é mais imediato, e o alívio de evitar uma situação desconfortável pode parecer mais acessível do que uma recompensa que só será percebida no futuro.
Os pensamentos também influenciam esse processo. Ideias como “preciso fazer perfeito”, “já estou atrasado”, “não vou conseguir”, “deveria ter começado antes” ou “quando eu estiver motivado, faço” podem aumentar a dificuldade percebida e favorecer o adiamento.
O perfeccionismo merece atenção nesse contexto. Quando a pessoa estabelece um padrão muito elevado para aquilo que precisa realizar, começar pode significar correr o risco de não alcançar o resultado esperado. Adiar passa a ser uma maneira de evitar temporariamente a possibilidade de errar ou de se sentir insuficiente. Porém, essa estratégia também impede a prática, a aprendizagem e a possibilidade de descobrir que o resultado não precisava ser perfeito para ser satisfatório.
Outro equívoco comum é acreditar que a motivação precisa aparecer antes da ação. Nem sempre funciona dessa maneira. Em diversas situações, a disposição aumenta depois que a pessoa começa a perceber progresso. Por isso, esperar estar completamente motivado pode prolongar indefinidamente o início de uma tarefa.
Uma alternativa é reduzir o tamanho do primeiro passo. Em vez de pensar “preciso estudar tudo”, definir quinze minutos de estudo. Em vez de “preciso terminar meu projeto”, abrir o documento e escrever algumas linhas. Em vez de “preciso organizar toda a casa”, começar por um único espaço.
Essa estratégia não elimina a dificuldade, mas reduz a barreira inicial. O objetivo não é concluir tudo imediatamente, e sim transformar uma tarefa abstrata e pesada em uma ação concreta que possa ser realizada agora.
Também pode ser útil observar o que acontece antes de procrastinar. O que você pensa quando se depara com aquela tarefa? Qual emoção aparece? O que você faz imediatamente depois? E como se sente algumas horas mais tarde? Perceber essa sequência ajuda a identificar o padrão e compreender qual função o adiamento está desempenhando.
A mudança, portanto, não depende apenas de organizar melhor o tempo. Em alguns casos, é necessário aprender a lidar de outra maneira com ansiedade, medo de errar, autocrítica, frustração ou outras experiências que tornam determinadas tarefas difíceis de iniciar.
Você não precisa esperar que todo desconforto desapareça para agir. É possível estar inseguro e começar, sentir ansiedade e continuar, não estar motivado e ainda assim dar um pequeno passo. Desenvolver essa capacidade significa aprender que uma emoção desagradável pode estar presente sem necessariamente determinar o seu comportamento.
Por isso, quando perceber que está novamente dizendo “depois eu faço”, talvez valha a pena olhar para além da tarefa e perguntar:
“O que está tornando tão difícil começar?”
Essa pergunta pode ajudar a identificar se o que está sendo adiado é apenas uma atividade ou se, por trás dela, existe uma emoção, um pensamento ou uma expectativa que precisa ser compreendida.
A procrastinação não precisa ser interpretada como uma característica permanente da sua personalidade. Ela pode ser compreendida como um padrão de comportamento que se mantém por determinadas razões e que, portanto, também pode ser modificado. O primeiro passo é deixar de olhar apenas para o que você está adiando e começar a compreender por que começar se tornou tão difícil.
Quem sou eu?

Viviane dos Santos Cavalari
CRP:

06/224932
Atendimento:
Online
Sou psicóloga de orientação analítica (junguiana) e dedico minha escuta a acompanhar pessoas em suas jornadas de redescoberta, transformação e reencontro consigo mesmas.
Entendo a terapia não como um lugar de julgamentos ou de fórmulas prontas, mas como um espaço seguro de travessia. Na perspectiva junguiana, não olhamos para a sua dor, ansiedade, crises ou angústias apenas como sintomas a serem eliminados a qualquer custo — mas como convites do seu inconsciente para olhar para aquilo que precisa de atenção, cuidado e integração.
Valor da Sessão / Tempo de duração
R$ 60,00
/
60 minutos
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