
Você diz que já entendeu, que não quer mais, que dessa vez foi diferente. Mas algo te puxa de volta pra elx, como se existisse um fio invisível que insiste em não romper. E talvez não seja exatamente sobre elx, talvez seja sobre algo que toca em partes muito profundas suas, difíceis de acessar e ainda mais difíceis de deixar.
Porque nem sempre a gente volta pra alguém. Às vezes, a gente volta pra uma sensação conhecida. Mesmo que doa, mesmo que machuque, tem algo ali que parece familiar. E o familiar, por mais desconfortável que seja, pode dar uma falsa sensação de segurança.
Pode existir também uma esperança silenciosa de que, dessa vez, vai ser diferente. Como se, tentando mais um pouco, se explicando melhor, sendo mais paciente ou mais compreensivo, você finalmente fosse ser visto do jeito que precisa. Como se dessa vez fosse dar certo.
E, sem perceber, você pode ir se moldando pra caber nessa relação. Vai engolindo coisas, se adaptando, se calando… tudo pra não perder elx. Só que, nesse processo, você também vai se perdendo de você. E isso costuma custar caro, mesmo que pareça pequeno no começo.
Mas voltar não é sinal de fraqueza. É um sinal de que existe algo dentro de você ainda pedindo atenção. Algo que talvez não tenha sido cuidado, ouvido ou reconhecido do jeito que precisava. E que, de alguma forma, tenta se resolver através desse vínculo.
Talvez a pergunta não seja “por que eu volto?”, mas “o que em mim ainda dói quando eu tento ir embora?”. Porque quando a gente começa a olhar pra isso com mais honestidade, algo começa a se reorganizar por dentro.
E aos poucos, quando você se escuta mais e se abandona menos, voltar deixa de fazer sentido. Não porque elx mudou, mas porque você já não precisa mais ocupar esse lugar. E aí, sem forçar, você começa a escolher diferente.
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