
Quando estar conectado começa a custar caro?
Nem todo excesso faz barulho. Às vezes, ele surge silenciosamente através da comparação, ansiedade e cansaço de nunca se sentir suficiente.
21 de mar. de 2026
Geziany Aparecida Oliveira
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Você pega o celular por alguns minutos e, quando percebe, já passou muito mais tempo do que imaginava. Nesse intervalo, viu viagens, corpos, conquistas, opiniões, notícias alarmantes, rotinas aparentemente perfeitas e uma sequência interminável de vidas que parecem estar acontecendo melhor, mais rápido e de forma mais interessante do que a sua. O problema é que isso nem sempre termina quando a tela se apaga. Muitas vezes, a comparação continua, a inquietação permanece e a sensação de estar atrasado em relação aos outros se instala de forma incômoda.
É inegável que as redes sociais passaram a fazer parte da vida cotidiana, mas, em muitos casos, elas estão tão entrelaçadas ao nosso dia a dia que deixam de ser percebidas como um ambiente que também afeta a saúde emocional. Sim, as redes sociais informam, conectam, entretêm, aproximam pessoas e podem até servir como espaço de apoio, expressão e pertencimento. Ao mesmo tempo, quando usadas sem consciência ou sem limites, também podem intensificar ansiedade, insegurança, irritabilidade, compulsão, sensação de inadequação e exaustão mental.
Discutir o impacto das redes sociais na saúde mental não significa tratá-las como vilãs nem defender um afastamento total da vida digital. A questão central não está apenas em usar ou não usar, mas em como esse uso acontece, no que ele desperta emocionalmente e nos efeitos que produz na forma como a pessoa se percebe, se relaciona e organiza a própria vida.
Um dos aspectos mais delicados dessa relação é que os efeitos nem sempre aparecem de forma imediata. Em geral, eles surgem aos poucos, influenciando o humor, a autoestima e o ritmo mental sem que isso seja claramente reconhecido. Boa parte desse impacto está ligada à lógica da comparação. Nas redes, as pessoas não mostram a vida inteira; mostram recortes. Ainda assim, o cérebro muitas vezes responde a esses recortes como se fossem a totalidade. Por isso, é comum que alguém olhe para uma sequência de fotos bem produzidas e pense, mesmo sem perceber, que a própria vida é sem graça.
Esse tipo de comparação não é novo na experiência humana, mas o ambiente digital aumentou sua frequência, sua intensidade e seu alcance. Antes, a comparação acontecia com um grupo limitado de pessoas. Hoje, ela pode ocorrer, em poucos minutos, com centenas de rostos, estilos de vida, padrões de beleza, discursos sobre sucesso e narrativas de felicidade. Para quem já está emocionalmente fragilizado, esse contato constante com idealizações pode aprofundar sentimentos de inadequação e fracasso.
Considerando esse e muitos outros aspectos que ainda podem ser abordados, podemos concluir que falar em limites não é moralismo nem exagero, mas cuidado. Que tal começar a se perguntar: “Como eu me sinto depois de usar determinada rede? Mais leve ou mais drenado? Mais informado ou mais confuso? Mais conectado ou mais inadequado?”
Essas reflexões podem parecer simples, mas ajudam a transformar um hábito automático em uma experiência consciente.
Então, quando você se faz essas perguntas, quais são as primeiras respostas que vêm à sua cabeça?
Geziany Oliveira
Psicóloga - CRP 16/12307
Instagram: @psigeziany
Linkedin: @gezianyoliveira
Meu perfil no Terappia: https://www.terappia.com.br/psi/geziany-aparecida-oliveira
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