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Quando o prazer vira fuga: repensando o consumo de pornografia

Pornografia, prazer e vício: o que a psicologia tem a nos dizer

20 de out. de 2025

Geovanna Moreira Bastos

Autocuidado
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A sexualidade é uma das expressões mais vivas da nossa humanidade. Ela nos conecta ao prazer, ao afeto e à intimidade, atravessando corpo, mente e cultura. Mas, na era digital, esse território tão íntimo passou a ser fortemente mediado por telas. Hoje, a pornografia ocupa um espaço constante e acessível na vida de milhões de pessoas. E, embora possa parecer apenas uma forma de entretenimento, seu consumo excessivo tem revelado impactos profundos sobre a forma como vivemos, desejamos e nos relacionamos.

 

A internet transformou a pornografia em algo disponível a qualquer hora, em qualquer lugar — de forma instantânea, anônima e, muitas vezes, viciante. O cérebro humano, movido pelo sistema de recompensa, responde com prazer a cada estímulo recebido. O problema é que quanto mais repetimos esse padrão, mais o cérebro se adapta, exigindo doses maiores de estímulo para alcançar a mesma sensação. É aí que o prazer pode começar a se transformar em compulsão, e a curiosidade em dependência emocional.

 

Muitas pessoas procuram psicoterapia depois de perceberem que perderam o controle sobre esse consumo. Sentem culpa, vergonha, ansiedade, e um afastamento crescente da vida real — dos parceiros, dos amigos, da própria autoestima. A pornografia cria um mundo de imagens e expectativas que, aos poucos, podem distorcer a percepção da sexualidade e da intimidade. O que antes era prazer passa a ser vazio, e o desejo se mistura ao desconforto de não conseguir parar.

 

É importante dizer: nem todo consumo de pornografia é problemático. O problema começa quando ela passa a ocupar o lugar das relações reais ou se torna a principal forma de lidar com emoções difíceis, como solidão, tédio ou tristeza. Muitas vezes, a pornografia é usada como uma fuga silenciosa, um alívio rápido que mascara dores mais profundas. Nesses casos, o comportamento deixa de ser apenas um hábito e se transforma em um sintoma — um sinal de que algo dentro de nós está pedindo cuidado.

 

A psicoterapia oferece justamente esse espaço de escuta e compreensão. Um lugar onde não há julgamentos, mas um convite para olhar com honestidade o que está acontecendo. O terapeuta ajuda a identificar o que está por trás do comportamento — quais sentimentos, carências ou conflitos o alimentam — e a construir novas formas de prazer e de vínculo que não aprisionem, mas libertem. É um processo de reencontro consigo mesmo e de reconstrução da relação com o próprio desejo.

Falar sobre pornografia é, no fundo, falar sobre a busca humana por conexão, prazer e sentido. Todos nós buscamos alívio para as tensões da vida, mas quando esse alívio começa a nos afastar de quem somos e do que realmente desejamos, é hora de parar e escutar. A psicoterapia pode ser esse ponto de virada — um caminho para transformar o automatismo em consciência, e a culpa em cuidado.

 

Se você sente que o consumo de pornografia tem ocupado mais espaço do que gostaria na sua vida, talvez seja o momento de buscar ajuda. Não se trata de culpa ou de proibição, mas de liberdade: a liberdade de escolher o prazer de forma consciente, saudável e verdadeira. E isso começa com um passo — o de olhar para si com curiosidade, coragem e o desejo de se compreender melhor.

 

 

Geovanna Moreira Bastos | Psicóloga e psicanalista - CRP 01/30116

Meu perfil no Terappia: www.terappia.com.br/psi/Geovanna-Moreira-Bastos

 

 

 

 

 

 

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