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Saúde Mental no trabalho... Para quê?

A urgência de um ambiente de salutar

5 de mar. de 2026

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Saúde mental

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Muitas empresas ainda demonstram resistência quando são questionadas sobre quais atitudes adotam em relação à qualidade da saúde mental em seu ambiente de trabalho. Esse movimento não é isolado do universo organizacional, mas reflexo de uma herança cultural que trata a saúde mental como algo dispensável e o ser humano como uma máquina de produção, cuja única dimensão a ser preservada seria o corpo físico — aquele que vai ao escritório, compra suas roupas e paga seus boletos.

 

Uma das premissas do meu trabalho como implementador da NR-1 é compreender que avaliação e intervenção não dizem respeito aos indivíduos isoladamente, mas ao ambiente de trabalho como um todo — um ambiente feito de pessoas, de relações interpessoais e da forma como essas pessoas se relacionam com o trabalho.

 

De que adianta um espaço com ótima estrutura física e tecnológica se as relações de trabalho favorecem a insalubridade?

 

Situações como assédio, falta de clareza de função, ausência de autonomia, excesso ou escassez de demanda e más relações de trabalho são alguns dos riscos psicossociais previstos na Norma Regulamentadora nº 01 (NR-1) e que precisam ser identificados e corrigidos nas organizações.

 

Esses riscos atravessam diretamente a dimensão subjetiva do trabalhador, afetando sua auto percepção de valor, seus limites pessoais e sua motivação para trabalhar. Muitas vezes, o ônus vivido no cotidiano é maior do que o reconhecimento recebido. Afinal, o esforço necessário para lidar(ou ignorar) com assédios recorrentes e sobrecarga de trabalho não é considerado no momento do pagamento, pois nem deveriam existir.

 

O trabalho deixa de ser apenas aquele registrado em carteira ou previsto em contrato e passa a incluir, também, todos os riscos psicossociais vivenciados no dia a dia laboral. Isso nos faz refletir sobre como seguimos trabalhando, produzindo e sustentando a vida, enquanto ignoramos justamente aquilo que a afeta. É possível responsabilizar o indivíduo pela própria saúde mental sem considerar as condições que lhe são oferecidas para preservá-la?

 

É claro que todos temos responsabilidade sobre nossa saúde individual. No entanto, essa responsabilidade só pode ser exercida quando existem condições mínimas para isso: acesso a bons alimentos, a cuidados em saúde, a relações interpessoais saudáveis e, principalmente, a um ambiente de trabalho seguro — livre de fatores que tornem insalubre o lugar que frequentamos na maior parte da semana, muitas vezes por mais tempo do que permanecemos em nossas próprias casas.

 

Falar de saúde mental nas empresas, portanto, não é um excesso, um luxo ou uma pauta secundária. É falar sobre condições reais de trabalho, sobre sustentabilidade humana e organizacional e sobre o impacto direto que o ambiente laboral exerce na vida das pessoas. Ignorar isso não elimina o problema — apenas transfere seus custos para o indivíduo, para a empresa e para a sociedade.

 

Para quem se interessar, meus contatos:

 

E-mail: psi.pauloraim@gmail.com

Instagram: @psi.pauloraim

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