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Sexualidade não é só sobre sexo

É sobre como você se encontra com o outro, e consigo

26 de abr. de 2026

Gustavo Gonçalves Oliveira

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Saúde mental

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Quando se fala em sexualidade, muita gente pensa direto em desempenho, frequência ou técnica. Como se fosse algo que se mede, que se compara, que precisa funcionar de um jeito específico. Só que a sexualidade é bem mais ampla do que isso.

 

Ela envolve o corpo, claro, mas também envolve história, experiências, crenças, inseguranças, desejos e até silêncios. A forma como alguém vive a própria sexualidade passa pelo que aprendeu sobre isso, pelo que foi permitido sentir, pelo que foi reprimido, pelo tipo de vínculo que constrói com o outro.

 

Por isso, muitas dificuldades nesse campo não estão no corpo em si. Estão no que vem junto. Vergonha, culpa, medo de julgamento, ansiedade de desempenho, dificuldade de se entregar. Às vezes a pessoa está ali, mas não está presente de verdade. A cabeça vai para longe, o corpo acompanha mal.

 

Tem também a ideia de que existe um “normal” que precisa ser seguido. Um ritmo certo, um desejo ideal, uma forma correta de viver a sexualidade. E quando alguém não se encaixa nisso, começa a se questionar, se cobrar, tentar se ajustar à força. Isso costuma afastar ainda mais da própria experiência.

 

Sexualidade não é algo fixo. Ela muda com o tempo, com as relações, com o momento de vida. O que fazia sentido antes pode deixar de fazer, e isso não significa problema. Pode ser só sinal de mudança.

 

Cuidar desse campo passa menos por tentar se encaixar e mais por se escutar. Entender o que faz sentido, o que incomoda, o que está sendo evitado. E, quando envolve outra pessoa, conseguir falar sobre isso também.

 

No fim, sexualidade não é performance.
É presença.

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