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Sobre o meu desejo por um viver mais poético

E a minha atuação como psicóloga

11 de set. de 2026

Maite Marya Luchesi Bosco

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Autoconhecimento

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Hoje, relendo um texto lindo do Thomas Ogden intitulado “Do que eu não abriria mão”, me peguei reflexiva sobre o fazer do psicólogo que se orienta pela psicanálise. Tudo isso me lembrou desse texto que eu escrevi há mais ou menos um ano:

Estamos em um mundo regido por um sistema que não suporta muita ambiguidade e não dá espaço para ouvir a angústia ou o desconforto. Sobra regra, sobra estímulo e falta tempo para pensar e palavras para descrever e dar sentido. No encontro da terapia, de forma diferente, há espaço para os não ditos e para pensar aquilo que se tenta aniquilar em outras relações. Para lidar com todo esse imprevisível que pode surgir no encontro, eu acredito que é preciso muita disponibilidade e alguma dose de coragem do psicólogo.

Mais do que isso, acho que é uma profissão de curiosidade, interesse genuíno pelas possibilidades, abertura para estar junto e olhar para aquilo que causa estranhamento, repulsa e medo. Poder viver o que precisa ser vivido, viajar para onde for e encontrar ali possibilidades, desejos e criatividade. Tornar-se dupla, fazer esforço para colocar em palavras, descobrir junto, oferecer algo diferente. Poder ver valor na complexidade da experiência humana.

Para mim, ver cada pessoa como um universo completamente diferente alimenta essa fome de conhecer as inúmeras possibilidades de estar no mundo. Diferentemente da lógica de saber o correto e ser o dono da única verdade, existe, na terapia e no psicólogo, algum conforto no desconforto de não saber, de sempre haver algo novo a se descobrir, outro ponto de vista, outra experiência. A beleza de desconhecer o mundo e encontrá-lo de novo, de forma diferente. A possibilidade de perceber o novo em velhos conhecidos, ou algo familiar naquilo que parece novo.

Pensando nos valores dos quais Ogden cita que não abriria mão como analista, percebi que, para a minha prática, é inegociável poder desejar um mundo onde viver possa ser tarefa mais poética (não me lembro onde vi alguém descrevendo o fazer do psicólogo dessa forma, mas me identifiquei).

 

Maitê Luchesi Bosco

Psicóloga - CRP 06/217937

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