
Existe uma ideia bastante difundida de que, ao não serem heterossexuais, pessoas LGBT+ automaticamente rompem com as normas de gênero. Como se a orientação sexual, por si só, fosse suficiente para nos libertar dos papéis que aprendemos desde a infância.
Mas será que isso realmente acontece?
Desde muito cedo, aprendemos o que significa ser "forte", "delicada", "cuidadora", "provedor", "desejável". Antes mesmo de construirmos nossa forma de amar, já fomos ensinados sobre como homens e mulheres deveriam agir, sentir, desejar e se relacionar.
Esses aprendizados não desaparecem quando mudam nossas parcerias afetivas.
A estrutura binária na qual somos inseridos desde tão cedo continua moldando nossa maneira de amar, cuidar, desejar e construir valor sobre nós mesmos. Afinal, a forma como nos relacionamos não nasce do zero quando assumimos uma identidade ou orientação sexual; ela também é atravessada pela cultura, pela família, pelas experiências e pelos discursos que nos constituíram.
Por isso, as relações LGBT+ também carregam marcas dessas expectativas de gênero.
Talvez você já tenha ouvido ( ou até feito ) perguntas como:
- Quem é o homem da relação?
- Quem é a mulher?
- Quem toma a iniciativa?
- Quem protege?
- Quem cuida mais?
Essas perguntas revelam uma tentativa de encaixar experiências diversas em modelos que já conhecemos. Em vez de aceitar novas possibilidades de vínculo, buscamos reproduzir papéis familiares, como se toda relação precisasse obedecer a uma lógica previamente estabelecida.
Mas será que precisamos, de fato, definir quem ocupa qual papel?
A repetição desses roteiros pode limitar a construção de relações mais livres, nas quais as funções não sejam determinadas pelo gênero, mas negociadas a partir do desejo, da singularidade e das necessidades de cada pessoa.
Isso não significa que ninguém possa gostar de ocupar determinados lugares. A questão é outra: esses lugares são fruto de uma escolha ou apenas repetimos aquilo que aprendemos ser o esperado?
Do ponto de vista da psicanálise, grande parte dessas formas de agir acontece sem que tenhamos plena consciência. Repetimos modos de amar, de desejar e de nos posicionar porque fomos constituídos dentro de uma determinada organização simbólica. Nem sempre percebemos o quanto as normas de gênero continuam presentes, mesmo quando acreditamos estar completamente fora delas.
A boa notícia é que reconhecer essas repetições abre espaço para novas possibilidades.
Nem toda relação precisa reproduzir os mesmos roteiros de masculinidade e feminilidade. Outras formas de amar, cuidar, construir intimidade e dividir responsabilidades são possíveis.
E isso não diz respeito apenas às relações LGBT+. As relações heterossexuais também são atravessadas por expectativas de gênero que, muitas vezes, organizam o desejo, os conflitos e a forma como cada pessoa ocupa seu lugar na relação.
Questionar esses roteiros não significa encontrar um modelo ideal de relacionamento. Significa abrir espaço para relações mais singulares, menos guiadas pela obrigação de corresponder a papéis previamente definidos e mais sustentadas pelo encontro entre duas subjetividades.
Porque, muitas vezes, agir e sentir dentro da lógica binária não é exatamente uma escolha consciente.
Apenas acontece. Repetimos.
E talvez a pergunta mais importante não seja "quem é o homem?" ou "quem é a mulher?" da relação, mas sim:
Que relação estamos criando?
Quem sou eu?

Larissa Fernanda de Oliveira
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Online
Olá! Sou Larissa, psicóloga, e acredito que a terapia pode ser um espaço de acolhimento, escuta e construção de novos caminhos, onde você possa falar sobre o que sente sem julgamentos e no seu próprio ritmo.
Atendo adolescentes, adultos e idosos, respeitando a história, as necessidades e o momento de vida de cada pessoa. Meu trabalho é baseado na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), uma abordagem que busca compreender a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos e, a partir disso, desenvolver estratégias mais saudáveis para lidar com diferentes situações.
A terapia pode ser um espaço importante para quem está enfrentando ansiedade, baixa autoestima, inseguranças, dificuldades nos relacionamentos, mudanças importantes na vida, sobrecarga emocional, dificuldades para lidar com sentimentos, problemas de adaptação, momentos de crise ou simplesmente sente que precisa de um espaço para se compreender melhor.
Ao longo do processo, vamos olhar para aquilo que está acontecendo hoje, compreender padrões que podem estar contribuindo para o seu sofrimento e construir, juntos, ferramentas para que você consiga lidar melhor com suas emoções e situações do cotidiano.
Meu objetivo é que você encontre na terapia um espaço seguro para se conhecer, desenvolver novas perspectivas e construir uma relação mais saudável consigo mesmo e com a própria vida.
Se você sente que está passando por um momento difícil ou que gostaria de cuidar mais de si, talvez este seja um bom momento para começar. Será um prazer te acompanhar nessa caminhada.
Valor da Sessão / Tempo de duração
R$ 60,00
/
50 minutos
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