
A violência sexual contra crianças e adolescentes é uma grave questão de saúde pública e pode provocar consequências que ultrapassam o momento da violência, afetando o desenvolvimento emocional, cognitivo, social e psicológico da vítima. Entre os possíveis impactos está o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), uma condição que pode surgir após a exposição a experiências traumáticas.
O TEPT pode se manifestar de diferentes formas. Entre os sintomas estão lembranças intrusivas e vívidas do acontecimento, flashbacks, pesadelos, evitação de situações ou lugares associados ao trauma, alterações no humor e na forma de interpretar as experiências, hipervigilância, dificuldade de concentração, insônia e irritabilidade. Em crianças e adolescentes, esses sintomas podem se apresentar de maneiras particulares, tornando uma avaliação cuidadosa ainda mais importante.
O impacto da violência sexual
As consequências da violência sexual podem ser especialmente complexas quando a situação acontece dentro da própria família ou envolve alguém próximo e de confiança. A violência intrafamiliar tende a ser mais duradoura e intensa e, quando ocorre precocemente, pode contribuir para o desenvolvimento de diferentes dificuldades psicológicas, entre elas o TEPT complexo.
Por isso, o atendimento psicológico não deve se limitar aos sintomas apresentados pela criança ou pelo adolescente. É fundamental compreender o contexto em que a violência ocorreu, verificar se a exposição continua acontecendo e identificar a existência e a qualidade da rede de apoio. Além do conhecimento clínico, o profissional precisa conhecer a legislação e as políticas de proteção destinadas a crianças e adolescentes.
Onde entra a Terapia Cognitivo-Comportamental?
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) parte da compreensão de que pensamentos, emoções e comportamentos estão interligados. No tratamento do trauma, isso permite trabalhar não apenas os sintomas, mas também as interpretações que a criança ou o adolescente desenvolveu sobre aquilo que aconteceu.
Após uma experiência de violência sexual, é comum que surjam sentimentos e pensamentos relacionados à culpa e à vergonha. A TCC pode utilizar estratégias de reestruturação cognitiva para ajudar o paciente a identificar pensamentos disfuncionais e desenvolver formas mais adaptativas de compreender sua experiência.
O tratamento pode incluir diferentes técnicas, escolhidas de acordo com as necessidades e características de cada paciente. Entre elas estão o treinamento de inoculação de estresse, o treinamento de habilidades sociais, a dessensibilização sistemática, técnicas de respiração e relaxamento muscular, além de estratégias de prevenção de recaídas.
A terapia de exposição também pode fazer parte do tratamento do TEPT. A proposta é trabalhar gradualmente as memórias e situações relacionadas ao trauma, de maneira estruturada e dentro de um contexto terapêutico seguro. Estudos também vêm investigando o uso de recursos tecnológicos, como a realidade virtual, nesse tipo de intervenção.
Avaliar antes de intervir
Uma intervenção adequada começa por uma avaliação cuidadosa. A compreensão individual de cada caso permite identificar sintomas, pensamentos, comportamentos, fatores que mantêm o sofrimento e possíveis comorbidades.
Instrumentos psicológicos podem auxiliar nesse processo, mas devem fazer parte de uma avaliação mais ampla. Também é importante considerar que algumas crianças e adolescentes podem procurar atendimento por sintomas de ansiedade, depressão ou dificuldades comportamentais, sem que o trauma seja inicialmente identificado como a principal questão.
Nesse contexto, o papel do psicólogo vai além da aplicação de técnicas. É necessário oferecer um espaço seguro, respeitar o ritmo do paciente e atuar de acordo com os princípios éticos e com a rede de proteção prevista para crianças e adolescentes.
Cuidar do trauma também é prevenir novas violências
O tratamento do TEPT não deve ter como único objetivo a redução dos sintomas. A TCC também busca ensinar habilidades que possam ser utilizadas pelo paciente ao longo da vida, contribuindo para maior autonomia e para a prevenção de possíveis recaídas e novas situações de vulnerabilidade.
Ainda existem lacunas importantes na produção científica sobre o tratamento específico do TEPT decorrente de violência sexual em crianças e adolescentes, especialmente em materiais disponíveis em língua portuguesa. Por isso, ampliar pesquisas, desenvolver instrumentos de avaliação e protocolos específicos e produzir materiais de prevenção acessíveis às diferentes faixas etárias são necessidades importantes.
Falar sobre trauma infantil é, portanto, falar também sobre proteção, prevenção e possibilidades de reconstrução. Um atendimento psicológico baseado em evidências pode ajudar crianças e adolescentes a compreenderem suas experiências, desenvolverem recursos para lidar com os efeitos do trauma e retomarem, gradualmente, seu processo de desenvolvimento.
Quem sou eu?

Vinicius Sartori dos Santos
CRP:

06/175158
Atendimento:
Online
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Mas primeiro, deixe eu me apresentar para você, porque sei que chegar até aqui não foi fácil.
Sou Vinicius Sartori, psicólogo clínico especializado em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e pai de vários pets que, hora ou outra, podem aparecer em nossos atendimentos para te dar um oizinho.
Meu trabalho é oferecer um espaço seguro, acolhedor e sem julgamentos, onde você possa compreender suas emoções, aliviar o sofrimento e construir mudanças que façam sentido para a sua vida.
Ajudo principalmente adolescentes, jovens adultos e pessoas LGBTQIAPN+ que lidam com ansiedade, depressão, excesso de autocobrança, inseguranças e os desafios da vida adulta.
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