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Tinha um buraco no meio do caminho

Um breve olhar sobre o processo da psicoterapia

14 de abr. de 2026

Maria Clara Moreira de Souza

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Psicoterapia

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Tem esse poema que eu gosto muito e queria compartilhar aqui.

 

"Ando pela rua.

Há um buraco fundo na calçada.

Eu caio...

Estou perdido... sem esperança.

Não é culpa minha.

Leva uma eternidade para encontrar a saída.

 

Ando pela mesma rua.

Há um buraco fundo na calçada.

Mas finjo não vê-lo.

Caio nele de novo.

Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.

Mas não é culpa minha.

Ainda assim, leva um tempão para sair.

 

Ando pela mesma rua.

Há um buraco fundo na calçada.

Vejo que ele ali está.

Ainda assim, caio... é um hábito.

Meus olhos se abrem. Sei onde estou.

É minha culpa.

Saio imediatamente.

 

Ando pela mesma rua.

Há um buraco fundo na calçada.

Dou a volta.

 

Ando por outra rua."

 

Esse poema me foi lido pela primeira vez em um grupo de estudos anos atrás, e me chocou. Não de forma ruim ou disruptiva, mas me inundou com essa imagem da rua que vivemos a caminhar.

 

A terapia é um pouco assim. A gente no início não vê os buracos, cai neles repetidas vezes. A queda dói, o buraco é escuro, feio, sujo, assustador. A gente esperneia, chora, se sente perdido, com medo e às vezes leva um tempão até a gente encontrar um caminho de volta à nossa rua.

 

Mas a gente acha.

E acha também que agora o buraco ficou para trás, sem perceber que a gente tá brincando de corda bamba sobre ele. Caímos de novo.

 

Raiva. Por que eu tô aqui de novo?

É culpa dele, culpa dela, culpa da vida, do mundo… Culpa até o prefeito que não tampou o buraco na rua!

 

De novo a gente sai, e de novo a gente caminha pela rua horas sem ver, horas flertando com a queda, horas tropeçando sem querer e horas parece que a gente pula de cabeça.

 

A terapia envolve muita repetição de certos hábitos, padrões, situações…

Mas cada vez que a gente repete, a gente repete um pouquinho diferente.

 

Até que a gente passa a enxergar melhor o que existe no buraco e entende melhor os nossos passos até ali. O mundo não vai tampar os buracos das ruas, mas a gente pode passar a enxergar os buracos das nossas ruas com mais consciência.

 

A terapia não é só aprender a desviar do buraco, é sobre poder a cair diferente a cada vez, sobre aprender a sair e ter a liberdade de escolher outra rua.

Sabendo que nela, também, vão haver buracos.

 

FONTE:

Poema "Autobiografia em cinco capítulos" do livro "Tibetano do viver e do morrer", do autor Sogyal Rinpoche

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Um espaço para você se escutar, se compreender e cuidar de si.

Olá, sou Ana Clara Martins, psicóloga clínica, formada pela ESAMC Uberlândia, com atuação clínica e orientação psicanalítica.

Acredito que a psicoterapia pode ser um espaço de acolhimento e escuta, onde você não precisa ter todas as respostas e nem saber exatamente por onde começar. É um lugar para falar sobre aquilo que você sente, pensa e vive, com liberdade e sem julgamentos.

Ao longo da vida, podemos nos deparar com situações que despertam ansiedade, inseguranças, conflitos, dificuldades nos relacionamentos, estresse ou sentimentos que nem sempre conseguimos compreender. Em outros momentos, podemos simplesmente sentir o desejo de nos conhecer melhor e compreender por que algumas situações, emoções ou padrões continuam fazendo parte da nossa história.

É nesse espaço que a terapia pode fazer sentido.

Minha prática é orientada pela Psicanálise, a partir dos estudos de Freud, Lacan e Klein, buscando compreender cada pessoa em sua singularidade. Isso significa respeitar sua história, seu tempo, seus valores e a maneira única como você vivencia o mundo.

Acolho diferentes demandas, entre elas questões relacionadas à ansiedade, autoestima, autoconhecimento, inteligência emocional, desenvolvimento pessoal, relacionamentos, manejo do estresse, fortalecimento emocional, sexualidade, religião e espiritualidade, além de outras questões que possam surgir ao longo do processo.

Meu trabalho é pautado pela ética, escuta qualificada, acolhimento e cuidado individualizado. Não existe uma fórmula pronta para cada pessoa. O processo terapêutico é construído a partir daquilo que você traz e daquilo que, juntos, podemos compreender ao longo dos encontros.

Talvez você não precise ter tudo resolvido para começar.

A terapia pode ser um espaço para compreender melhor o que você sente, elaborar conflitos, olhar para sua própria história com mais cuidado e encontrar novas formas de se relacionar consigo mesma e com o mundo.

Se existe algo em você pedindo para ser escutado, esse pode ser um momento de começar.

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