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Transtornos mentais não são rótulos

O cuidado e o perigo

27 de set. de 2025

Gustavo Gonçalves Oliveira

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Psicologia

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Cuidar da saúde mental é essencial. Mas há um risco quando falamos sobre transtornos: transformar um diagnóstico em rótulo.

 

O diagnóstico pode ser uma bússola. Ele ajuda a nomear uma experiência que antes parecia caótica, dá referências para o tratamento, aponta caminhos de cuidado. Para muita gente, receber o nome do que sente traz alívio. É como se, finalmente, houvesse uma explicação para aquele sofrimento.

 

O problema é quando o diagnóstico vira identidade. “Sou ansioso”, “sou depressivo”, “sou borderline”. Como se a pessoa deixasse de ser ela mesma e passasse a ser apenas o transtorno. Nesse ponto, o que deveria ser ferramenta de cuidado se torna uma prisão.

 

É importante lembrar: um transtorno fala sobre um conjunto de sintomas, mas não esgota quem você é. Há história, afetos, valores, desejos e potenciais que não cabem em manuais clínicos. Quando o rótulo se sobrepõe ao sujeito, corre-se o risco de perder a singularidade de cada experiência.

 

Além disso, o rótulo pode ser usado de fora para dentro. A sociedade ainda carrega preconceitos pesados. Alguém com diagnóstico pode ser visto como “fraco”, “incapaz” ou “perigoso”, quando na verdade está apenas lidando com um aspecto da sua saúde como qualquer outro. Isso gera estigmas que, muitas vezes, machucam mais do que o próprio transtorno.

 

O cuidado verdadeiro está no equilíbrio. Reconhecer o transtorno como parte da vida, mas não como a vida inteira. Usar o diagnóstico como uma chave que abre portas, não como uma etiqueta que fecha caminhos.

 

A saúde mental precisa ser olhada com a mesma naturalidade que olhamos a saúde física. E talvez o desafio maior seja esse: aprender a cuidar sem reduzir, apoiar sem rotular, enxergar a dor sem apagar a pessoa.

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Julia Braz Goudinho

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Online

Pós- graduada em Psicologia Clínica Fenomenológica Existencial. 
Atendimento Clínico para adolescentes, adultos e idosos com foco em raça, gênero, maternidade, ansiedade, luto, depressão, sexualidade, relacionamentos e os diversos e subjetivos transtornos. 
Conhecendo um pouco sobre Fenomenologia Existencial: 
é uma abordagem terapêutica com bases filosóficas que considera cada ser singular, pois cada um vive e sente as experiências de maneira única; e livre, já que todo momento fazemos escolhas. 
Somos responsáveis pelas consequências de tais escolhas, e por estarmos sempre escolhendo nossa existência está em constante processo de transformação. 
A fenomenologia como método procura se afastar de interpretações a partir do momento que busca compreender a forma como cada indivíduo percebe a realidade evitando enquadrar as pessoas em classificações prontas justamente por acreditar que cada existência é única. 

Valor da Sessão / Tempo de duração

R$ 80,00

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50 minutos

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