
Existe uma frase que trava mais gente na porta da terapia do que qualquer valor de sessão: "ah, mas o meu problema não é tão grave assim". A pessoa compara a própria dor com a de quem, na cabeça dela, "sofre de verdade", quem perdeu alguém, quem foi diagnosticado com algo sério, quem está claramente em crise. E aí conclui, sem perceber, que não tem direito de ocupar uma cadeira de consultório. Isso não é humildade. É um cálculo distorcido de quem merece cuidado, e ele machuca mais gente do que se imagina.
Tem uma lógica cultural por trás disso que vale desmontar: a gente aprendeu a tratar saúde mental como saúde bucal de emergência, só vai ao dentista quando o dente já está quebrado. Ninguém questiona alguém que faz check-up de rotina sem estar doente. Mas alguém que procura terapia "só" porque está ansioso, "só" porque não está se sentindo bem consigo mesmo, "só" porque quer entender um padrão que se repete, essa pessoa às vezes até se desculpa antes de começar a falar. Como se precisasse justificar a própria presença ali.
O problema de esperar o fundo do poço é que ele raramente é o melhor ponto de partida. Terapia funciona melhor como prevenção do que como resgate, não porque resgate não funcione, mas porque quanto mais tempo um padrão de sofrimento se repete sem ser olhado de perto, mais entranhado ele fica. É mais fácil desarmar uma ansiedade que está começando a aparecer do que uma que já moldou dez anos de decisões. Esperar "piorar o suficiente" pra pedir ajuda é como esperar o carro quebrar de vez pra levar na revisão. Dá, mas custa mais caro, emocionalmente falando.
No fim, o critério pra merecer ajuda não é a intensidade do sofrimento. É simplesmente o fato de que uma parte sua está incomodada com alguma coisa e quer entender por quê. Isso já é suficiente. Você não precisa estar quebrado pra ter o direito de se cuidar, assim como não precisa estar doente pra ter o direito de se prevenir. Se existe uma pergunta te incomodando, um padrão que você não entende, uma inquietação que não tem nome ainda: isso já é motivo válido. O fundo do poço nunca deveria ser o pré-requisito. Ele deveria ser, no máximo, o que a terapia ajuda você a nunca precisar alcançar.
Quem sou eu?

Julia Braz Goudinho
CRP:

05/54443
Atendimento:
Online
Pós- graduada em Psicologia Clínica Fenomenológica Existencial.
Atendimento Clínico para adolescentes, adultos e idosos com foco em raça, gênero, maternidade, ansiedade, luto, depressão, sexualidade, relacionamentos e os diversos e subjetivos transtornos.
Conhecendo um pouco sobre Fenomenologia Existencial:
é uma abordagem terapêutica com bases filosóficas que considera cada ser singular, pois cada um vive e sente as experiências de maneira única; e livre, já que todo momento fazemos escolhas.
Somos responsáveis pelas consequências de tais escolhas, e por estarmos sempre escolhendo nossa existência está em constante processo de transformação.
A fenomenologia como método procura se afastar de interpretações a partir do momento que busca compreender a forma como cada indivíduo percebe a realidade evitando enquadrar as pessoas em classificações prontas justamente por acreditar que cada existência é única.
Valor da Sessão / Tempo de duração
R$ 80,00
/
50 minutos
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